Jornal Rio grande

A rua Marechal Floriano

  • Luiz Henrique Torres
  • 03/02/21 as 10:56

n/d

Foto: Acervo Biblioteca Rio-Grandense

Em planta feita em 1767 para a fracassada tentativa de retomada da Vila aos espanhóis, se vê que a água do rio atingia a face Norte, na edificada, Rua Marechal Floriano, existindo na face Sul os fundos das casas da Rua Direita. Para evitar a estagnação da água do rio, o governador mandou construir um cais de pedra nos fundos do Palácio onde residia e que estava localizado na hoje Rua General Bacelar, esquina da Pinto Lima, lado Oeste e que fora adquirido em dezembro de 1755. Com o aterro dos fundos das casas da Rua Direita começam as edificações, e foi tomando jeito a Rua da Praia.

Na planta acima referida se vê a esquina da hoje Rua dos Andradas, um Armazém Real, uma ponte no rio, na altura da hoje Zalony e lá para os lados da Coronel Sampaio o trapiche dos Cavalos, por onde se fazia a passagem dos animais para São José do Norte. Na primeira planta mandada fazer pela Câmara Municipal, em 5 de agosto de 1829, já esta rua tem edificações do lado Norte, desde a hoje Rua dos Andradas a Francisco Marques, com terrenos devolutos até o pântano (Rua Barroso) e para o Oeste, da atual General Neto até um pequeno terreno na General Canabarro, sufocada pelas areias.

Nicolau Dreys, viajante que aqui chegou em 1817, no seu livro Notícia Descritiva, nos diz: “Há poucos anos que a cidade de São Pedro participava do ridículo que se nota numa grande parte das vilas marítimas do Brasil, pois apresentava aos viajantes a parte traseira dos seus edifícios...”.

Em sessão de vereança de 19 de setembro de 1820, fora lido um ofício do Governador, em que comunicava que “... os terrenos que existem desde o Beco do Albino até o Beco do Tenente-General Manuel Marques de Souza – os dá a Câmara para pôr em hasta pública e o seu produto para as necessidades da Câmara”. É a quadra em que está a Prefeitura até a Pinto Lima.

Rua da Praia era o seu primitivo nome, por lhe ficarem a pouca distância as estacadas mandadas fazer pela Câmara e pelos proprietários e cujo aterro, ia entrando pelo rio, até formarem-se novas ruas para o Norte.

Em 9 de outubro de 1865 é mudado o nome para Rua Pedro II, lembrando a passagem por esta cidade do Imperador, que aqui estivera em julho desse ano, a caminho de Uruguaiana, que havia sido tomada pelos paraguaios e cuja rendição assistiu.

Por Decreto nº 16, de 15 de novembro de 1894, o Intendente Municipal, Cel. Augusto Álvaro de Carvalho, substituiu o nome de D. Pedro II pelo de Marechal Floriano. O Marechal Floriano Peixoto nasceu em Alagoas em 30 de abril de 1839, e faleceu em 1895. Lutou na Guerra do Paraguai e fez parte do último Ministério do período monárquico. Como Vice-Presidente da República assumiu a presidência em 1891, com a renúncia do Marechal Deodoro da Fonseca.