Jornal Rio grande

Olha aí

  • Ique de la Rocha
  • 04/03/21 as 11:10

O novo ranking dos portos brasileiros

Nosso jornal noticiou que “Rio Grande está na sexta posição entre os portos organizados”. A notícia referia-se à divulgação da Portos RS do boletim da Antaq (Agência Nacional dos Transportes Aquaviários) que apresentou os portos com maior movimentação de mercadorias no país em 2020. O Jornal do Comércio, de Porto Alegre, sobre o mesmo assunto, noticiou em sua edição de terça-feira, 2: “Porto de Rio Grande é o 11º em movimentação de cargas no Brasil”. Quem está certo?

Fomos nos socorrer com um profundo conhecedor da atividade portuária e ele nos explicou: existem os portos que operam vários tipos de carga e os que trabalham exclusivamente com petróleo ou minério de ferro. Na soma de todos os portos, realmente Rio Grande fica na 11ª colocação. Tanto que o primeiro porto do país hoje em movimentação é o terminal marítimo de Ponta da Madeira, no Maranhão, que pertence à Vale e movimentou, em 2020, próximo de 120 milhões de toneladas de minério de ferro. Santos caiu para a segunda colocação.

Já entre os portos que operam vários tipos de carga, tirando fora esses que trabalham praticamente com um único produto, Rio Grande fica na sexta posição. Nosso “consultor” ainda observou que uma parte da exportação e importação gaúcha, das regiões de nosso estado mais próximas de Santa Catarina, não passa por aqui e sim pelos portos catarinenses. Cita como exemplo a bobina de aço que a Gerdau compra de São Paulo e Minas Gerais e vem por cabotagem até o estado vizinho. Ele atribui essa preferência pelos portos catarinenses aos custos, já que eles levam vantagem na questão tributária diferenciada e o valor dos pedágios, especialmente entre Rio Grande e Porto Alegre .

 

Amor à nossa terra

A cidade mais antiga do Rio Grande do Sul comemorou 284 anos de existência no último dia 19 de fevereiro. As comemorações na verdade foram tímidas, e não poderiam ser diferentes, em virtude da pandemia do Coronavírus. Mas, como sempre acontece, foram inúmeras as manifestações de rio-grandinidade, como diria o saudoso jornalista e advogado Gil Barlém Martins, especialmente nas redes sociais. E com frequência a gente vê as pessoas se empolgarem com as recordações de nosso rico passado (um exemplo é a página “Fatos e coisas de antanho”, do Ronaldo Morgado Segundo no Facebook) ou com notícias e comentários que tratam das nossas perspectivas de desenvolvimento.

Nessas ocasiões a gente constata como o nosso povo ama e se orgulha da cidade em que nasceu. Este comportamento é que nos dá esperança de vivermos dias ainda melhores, porque Rio Grande, pela sua posição estratégica e sua longa existência, já era para estar bem mais adiantada do que se encontra. Tivemos períodos em que nossa cidade exalou cultura, progresso, empreendedorismo, alternados com períodos de quase estagnação. Essa chama do amor à terra não pode se apagar. É o primeiro passo para construirmos uma cidade melhor. Se hoje ainda não temos a cidade do Rio Grande que sonhamos, através de um bairrismo sadio e positivo isso poderá vir a acontecer. Havendo espírito comunitário a população saberá se mobilizar e, quando necessário, cobrar das autoridades que cumpram com os compromissos assumidos, bem como dar também a sua contribuição. Afinal, todos temos responsabilidades para tornar nossa cidade mais limpa, mais bonita, mais próspera e melhor de se viver.

 

Greve

Com relação a termos uma cidade mais limpa, um obstáculo está sendo a própria empresa encarregada da coleta do lixo na cidade. O serviço terceirizado pela Prefeitura, até o momento em que escrevíamos esta coluna, está parado. Os trabalhadores entraram em greve porque não teriam recebido os salários do mês de janeiro. Também denunciam que não foram pagos corretamente,  aos colegas demitidos, os valores de suas rescisões, além de outras possíveis irregularidades.

Com a greve o serviço de coleta foi paralisado. O prefeito chegou a manifestar-se, dizendo que o pagamento feito pelo Município está em dia e, se a empresa não tomar providências, irá romper o contrato. O assunto também repercutiu na Câmara Municipal. Esperamos que tudo se esclareça e que haja um final feliz, antes que o lixo comece a se esparramar pelas ruas. 

 

Já vai tarde

A demissão do presidente da Petrobras pode ser um sinal de esperança para o fortalecimento do setor naval brasileiro. Roberto Castello Branco só prejudicou a indústria naval brasileira. Ele praticamente tirou das empresas nacionais a possibilidade de construírem plataformas de petróleo para a estatal. Só o reerguimento da indústria offshore daria o impulso que o país precisa para acabar com o desemprego e movimentar a economia, mas ele preferiu gerar empregos e impostos nos países asiáticos.   

Certamente tem muito mais gente, além de Bolsonaro, desejando dizer um “já vai tarde” para o Castello Branco. Consta que o presidente do Sinaval (o sindicato nacional dos armadores), Ariovaldo Rocha, por várias vezes tentou um debate com o atual presidente da Petrobras sobre as vantagens de construir as plataformas no Brasil e acabar de uma vez por todas com os argumentos dele em defesa dos estaleiros asiáticos, mas Castello Branco sempre “fugiu da raia”. Por que será?

 

Novas rótulas

O vereador Paulo Roldão considera as rótulas uma solução barata e boa para desafogar o trânsito. Por isso, está solicitando a colocação de uma no entroncamento da Roberto Socoowski com a Elberto Madruga, no bairro Castello Branco, e a rua 9, no bairro Santa Rita de Cássia. Adiantou que, de acordo com informações colhidas junto ao Executivo, neste primeiro semestre serão colocadas duas rótulas no Parque Marinha:  no cruzamento da Avenida dos Arquipélagos com a Enseadas e da Avenida dos Arquipélagos com a Grandes Lagos.

 

Miguel Glaser Ramos

Na semana que passou Rio Grande ficou mais pobre intelectualmente. Perdemos Miguel Glaser Ramos, economista, professor, que sempre esteve plenamente envolvido com a comunidade. Passou pelo Banco do Brasil, Furg, SAC e, sempre que podia, contribuía em alguma causa pela sua cidade. Não conheci muito da vida do “seu” Miguel, mas o pouco que conversamos foi o suficiente para ter uma admiração por sua cultura e por sua maneira de ser, sempre atencioso com todos.  Para mim ficou a sensação de que Rio Grande poderia ter se beneficiado mais com o conhecimento e a capacidade de Miguel Ramos, mas foram 94 anos bem vividos. Meus sentimentos à dona Shirlei e aos filhos.

 

Milton Rego

Rio Grande também perdeu Milton Rego. Tradicional comerciante da cidade, era torcedor e conselheiro do SC São Paulo, quando foi responsável pela implantação do sistema de iluminação do estádio rubro-verde, em 1977. Também meus sentimentos aos familiares.

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