Jornal Rio grande

O Chafariz das Três Graças e a arte em ferro francesa

  • Luiz Henrique Torres
  • 08/11/20 as 18:27

n/d

Acervo: Walter Albrecht

Os chafarizes franceses instalados no Brasil a partir da segunda metade do século 19 transcenderam a sua funcionalidade inicial de serem fontes de abastecimento de água. Por sua beleza estética e situarem-se em espaços públicos, - as praças, que eram valorizadas enquanto espaço recreativo das famílias -, os chafarizes contribuíam ou muitas vezes foram à maior atração, no embelezamento da paisagem urbana.

Conforme José Francisco Alves (Fontes D’Art no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Artfólio, 2009), no Rio Grande do Sul a presença da indústria francesa em ferro fundido foi muito representativa. A fundição artística chega às maiores cidades da província, Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande, num contexto do fornecimento de água potável à população através das Companhias Hidráulicas. As peças em ferro fundido colocaram a arte no espaço público que cotidianamente era percorrido pelos moradores. Em Porto Alegre foram instalados 8 chafarizes, em Rio Grande 4 e em Pelotas 4. Todos os chafarizes foram fabricados na França na Fundição Antonie Durenne. Dos 16 chafarizes apenas 7 sobreviveram as intempéries, as crises econômicas e as mudanças de administrações municipais. 

Felizmente, em Rio Grande ainda existem 3 chafarizes que foram instalados na década de 1870. Foram importados pela Companhia Hidráulica Rio-grandense cujos proprietários eram Hygino Correa Durão e João Frick. O primeiro chafariz instalado em Rio Grande recua ao ano de 1874 na Praça Sete de Setembro (desaparecido). No mesmo ano foi instalado o da Praça Xavier Ferreira, seguido da Praça Tamandaré (1878) e da Praça Barão de São José do Norte (1878).

Na Praça Xavier Ferreira foi instalado, no dia 25 de dezembro 1874, o Chafariz das Três Graças (altura de 6,12m e 3,74m de largura), constituído por três estátuas femininas – as mitológicas Três Graças: Aglaê, Tália e Eufrosina, filhas de Vênus, deusa da beleza e da graça; formosas, davam-se as mãos como se preparassem para dançar, presidiam às boas ações e dispensavam aos homens, amabilidade, jovialidade e outras qualidades que constituem o encanto da vida. 

 

Luiz Henrique Torres (Facebook: @professorlhtorres, blog historiaehistoriografiadors.blogspot.com) é historiador e professor da Furg.