Jornal Rio grande

A Praça Sete de Setembro

  • Luiz Henrique Torres
  • 15/11/20 as 14:53

n/d

Acervo Bibliotheca Rio-Grandense

Este é o mais antigo espaço público e urbano da formação luso-brasileira no Rio Grande do Sul por estar situada nas imediações do Forte Jesus-Maria-José, a qual é a mais antiga fortificação que de forma sistemática buscou fixar a presença portuguesa no extremo Sul do Brasil. Com o surgimento do Forte em fevereiro de 1737, surgiu uma cacimba para captação de água próxima a face com a atual rua República do Líbano. Em mapa da Vila do Rio Grande de 1829 esta área é chamada de Praça do Poço. O poço foi encontrado quando de escavações arqueológicas realizadas pela equipe do prof. Pedro Mentz Ribeiro na década de 1990. Anteriormente teve os nomes de Largo do Forte, Largo do Poço e Lago da Conceição em referência a Igreja da Conceição que foi inaugurada em dezembro de 1874. Oficialmente, pela Resolução de 31 de julho de 1858 a Câmara Municipal em homenagem a Independência do Brasil lhe da à denominação de Praça Sete de Setembro. Neste local, nas décadas de 1850-60, se realizavam as comemorações do dia máximo da Pátria. 

A Câmara Municipal manda plantar em 1854 álamos e figueiras no “Largo do Poço”. Não dando bons resultados, em 1858 são plantados umbus. Em 1874, a Companhia Hidráulica instala neste local o seu primeiro chafariz trazido da França e construído na Fundição Durrene. O chafariz foi removido na década de 1910. 

Em 1883, somente a face norte estava calçada sendo as outras faces “verdadeiros charcos” como afirmou um vereador. Este calçamento, ainda existente, é um dos mais antigos da cidade junto com o da rua Luiz Loréa que desemboca na Praça devendo remontar as décadas de 1860-70. Em 1884, foi apresentado à Câmara um projeto de aterro, calçamento e arborização. Em 1887, foi organizada uma comissão para angariar donativos para o ajardinamento da Praça Sete de Setembro e também da Praça São Pedro. O calçamento das três ruas no padrão “lisboeta” foi realizado em 1925. Neste mesmo ano, a 10 de fevereiro por iniciativa de uma Comissão de Conselheiros da cidade, foi inaugurado o monumento do Barão do Rio Branco. O bronze foi feito em Porto Alegre pela firma H. Brachsler & Filhos e o pedestal por Cardório & de Angeli.

Ao lado do Forte de Santana do Estreito foi nesta praça e em seu entorno é que surgiram as primeiras modalidades urbanas e sociabilidades da nascente formação luso-brasileira, a capela do Forte Jesus-Maria-José desenvolveu as primeiras práticas religiosas e registros paroquiais em 1737. Posteriormente, nas décadas seguintes é que surgirá a rua Direita (atual Bacelar) e a rua da Praia (atual Marechal Floriano) redirecionando o fluxo urbano. A revitalização da Praça Sete de Setembro permitiria contar uma parte da história luso-brasileira no Rio Grande do Sul.

 

Luiz Henrique Torres (Facebook: @professorlhtorres, blog historiaehistoriografiadors.blogspot.com) é historiador e professor da FURG