Jornal Rio grande

Quando chega os 70 anos...

  • João José Reinbrecht Braga
  • 18/11/20 as 9:28

Olhamos para trás e vemos um passado tão recente!

Pensamos no presente, ele é tão presente; e o futuro? Bem, o futuro nem imaginamos, pois se o passado tão longo está tão recente, imaginamos o futuro.

A presença dos 70 nos deixa mais tolerantes, mais maduros...O que nos dizem e não nos agrada, temos a capacidade de fazer de conta que concordamos, mesmo que no nosso íntimo estejamos até rindo e achando que não é nada daquilo, pois a nossa vivência assim nos mostra.

Gostaríamos muito que tivessem conosco a mesma paciência que temos com os outros; quando as limitações físicas fazem com que peçamos favores, que fôssemos atendidos sem contestações; quando não ouvirmos bem devido aos 70, que repetissem sem reclamações; quando esquecemos das roupas e toalha no banheiro após o banho, que compreendessem que não foi proposital, foi devido aos 70; quando levantamos da cama de repente e ficamos tontos, não cobrassem a mesma agilidade de quando éramos pequenos e nada disso acontecia; se pingarmos café ou comida na roupa, não foi descuido, os reflexos são outros, devido aos 70, enfim, 70 são 70.

Mas eles (os 70) não impedem que andemos a cavalo e cuidemos dos arreios, sendo até chatos. Sabemos que daqui a algum tempo, esses arreios serão um estorvo; não impedem que toquemos trombone no carnaval e até fora dele, passando horas buscando aperfeiçoar  o som, mas sabemos que daqui a algum tempo, esse trombone que nos deixou tão feliz será um trambolho que só ocupará lugar, as coleções de selos e caixinhas de fósforos serão questionadas na sua utilidade e talvez “alguém queira"; e as fotos, muitas fotos que trazem o passado à nossa lembrança, deixarão de ser úteis, pois as lembranças dos que ficam não são as mesmas dos que vão.

 Então fica a pergunta: aos 70, o que deixaremos de útil? Respondo: as lições de vida, os conselhos, os exemplos, nada material, isso ninguém põe fora, ninguém queima, ninguém se desfaz.

Por enquanto, vamos vivendo os 70 na plenitude, esbanjando saúde e energia, escrevendo, musicando, galopando e sendo cada vez, mais feliz.

Muito obrigado À MINHA FAMÍLIA, AMIGOS DE CAMPEREADA, PARCEIROS DE COPO, DE MÚSICA, CONFREIRAS E CONFRADES DA ACADEMIA RIO-GRANDINA DE LETRAS, PARCEIROS DE CTG, ALUNOS, AFILHADOS, COLEGAS  E DEMAIS AMIGOS QUE TORNAM MINHA VIDA MUITO FELIZ.

 

João José Reinbrecht Braga, o prof. Maninho, é ocupante da Cadeira 34 da Academia Rio-Grandina de Letras