Jornal Rio grande

Racionamento de energia segue no Amapá e deixa população revoltada

  • Matheus Magalhães da Silva
  • 19/11/20 as 14:08

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Ministério de Minas e Energia/Divulgação
O corte de provisão dos serviços segue deixando a população do Amapá sem luz. Já são 18 dias onde a maior parte as cidades do Estado enfrentam os resquícios dos apagões que causaram grandes transtornos no abastecimento de água, armazenamento de alimentos perecíveis, serviços gerais como internet dentre outras dificuldades. A estimativa é que quase todo o Estado tenha sido afetado com exceção de bairros mais nobres que possuem geradores especiais para eventos desta natureza.

O problema começou em 3 de novembro com um incêndio que comprometeu três transformadores em subestação na capital Macapá. Dois dias depois, o governo local lançou um plano especial para retomar os serviços com a recuperação de um dos transformadores e soluções como a aquisição de termelétricas e novos transformadores comprados juntos a outros Estados. Em 6 de novembro, o Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, veio a público prometer a normalização dos serviços em até 10 dias. Junto disto, protestos começaram a acontecer exigindo mais agilidade na solução do problema. Em 7 de novembro, a Justiça Federal colocou prazo de 3 dias para que a energia fosse reestabelecida com multa de R$ 15 milhões. Em 8 de novembro, iniciou-se rodízio com alternância de serviço a cada 6 horas nas regiões do Estado. Os protestos, que já contam mais de 100 segundo estimativas da PF, se intensificaram e em 10 de novembro o Governo Federal liberou R$ 21,6 milhões para aluguel de geradores e compra de combustíveis para os mesmos.

Segundo investigação da Polícia Civil, o incêndio teria sido provocado por falha no equipamento e não por um raio ou decorrência da tempestade que ocorria no dia 3.  A investigação representou criminalmente pelo bloqueio de R$ 500 milhões em bens e ativos da companhia privada que opera a concessão de energia no Estado. O pedido foi acatado em parte e apenas R$ 50 milhões foram bloqueados. No dia 13, data limite para que a concessionária reestabelecesse a energia no Estado, o juiz João Bosco Soares concedeu pedido da empresa para que a data limite fosse prorrogada para o dia 25 de novembro, legando mais vários dias de rodízio para a população, que agora operavam de 3 em 3 horas. Em 16 de novembro, chegaram termelétricas ao Estado via balsa, com o governo local prometendo reestabelecimento de 100% da energia provisoriamente até chegar a data limite para solução do problema. Porém, no dia seguinte, houve novo apagão no Estado, atingindo 13 das 16 cidades que estavam com fornecimento racionado.

Apesar de retomada a energia de forma provisória, a população ainda teme que novos apagões gerais aconteçam. Além disso, os transtornos com abastecimento de água e comida seguem acontecendo no Estado.

A empresa responsável, Linhas de Macapá Transmissora (LMTE), já teve outros problemas e foi multada em R$ 460 mil em outubro de 2019 no Pará por irregularidades nas instalações e equipamentos defasados. O relatório de fiscalização da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) apontava que a manutenção dos equipamentos estava defasada por longo tempo e também que os dados providos pela empresa no Pará eram inconsistentes com a realidade. Diversos apagões entre 2016 e 2017 acometeram o Estado já sob prestação de serviços da concessionária LMTE.