Jornal Rio grande

Fique de olho! Vírus transmitido por roedores leva a 5 óbitos na Bolívia

  • Matheus Magalhães da Silva
  • 23/11/20 as 14:56

Há algumas semanas atrás em um evento da Sociedade Americana de Medicina Tropical e Higiene foi revelado que um vírus bastante incomum, encontrado em roedores, foi transmitido entre pessoas na Bolívia. O caso ocorreu no ano passado em La Paz. Dois pacientes acabaram por infectar três profissionais da área da saúde com o vírus Chapare, causador de uma febre do mesmo nome, levando todos a morte. Desta forma, foi concluído que as duas pessoas infectadas passaram o vírus adiante para os profissionais - algo até então inédito. 

O chapare é um vírus da família arenavírus que, geralmente, são transmitidos através do contato com secreções humanas (saliva, urina, fezes, sêmen, vômitos) ou contato com objetos contaminados por estas secreções. As suspeitas são de que os profissionais de saúde tenham sido infectados por contato com os instrumentos hospitalares usados para tratar os pacientes. Estima-se que a contaminação mais comum acontece através de mordidas e arranhões de roedores, sobretudo ratos, em seres humanos. Porém, ainda não haviam registros concretos de transmissão entre humanos. 

Quais são os sintomas?

A boa notícia é que vírus que são transmitidos por fluídos são mais fáceis de serem controlados por medidas sanitárias e de conscientização do que vírus transmitidos pelo ar, como o covid-19. Entretanto, geralmente causam maior dano e, em alguns casos, a morte. Os sintomas mais comuns são sangramento das gengivas, erupção cutânea, febre, vômito, dor abdominal e dor nos olhos. Em estágio avançado, o vírus provoca dores de cabeça, nas articulações e nos músculos, além de diarréia. Cientistas afirmam que o vírus tem efeitos muito similares dos do vírus da dengue. Isto acaba por atrapalhar no controle de casos, pois muitos são interpretados como sendo dengue. Os vírus desta família constumam ter períodos de incubação entre 4 e 21 dias, mas isto é apenas uma estimativa com base no comportamento de outros vírus da família, pois o chapare ainda é pouco estudado e os casos são bastante incomuns. Devido a escassez de estudos, ainda não há tratamento específico para os efeitos deste vírus.