Jornal Rio grande

Crise para quem? Documento revela crescimento radical de fortunas nos EUA

  • Matheus Magalhães da Silva
  • 24/11/20 as 15:43

A crise econômica que se seguiu a pandemia da Covid-19 acabou por mudar a realidade econômica não só das populações ao redor do mundo, sofrendo pela falta de trabalho e as medidas totalmente assimétricas dos governos dos países do globo, mas também dos bilionários: eles ficaram ainda mais ricos.

Segundo informações da revista americana Jacobin, o Institute for Policy Studies (IPS) produziu um documento chamado “Billionaire Wealth vs Community Health: Protecting Essential Workers from Pandemic Profiteers” (riqueza dos bilionários x riqueza da comunidade: protegendo trabalhadores essenciais de quem lucra com a pandemia – em tradução livre) onde estima que a riqueza dos 647 bilionários dos Estados Unidos cresceu em quase $960 bilhões. De acordo com os responsáveis pelo estudo, esta cifra deve subir e chegar aos trilhões.

Mas como isto pode acontecer ? De acordo com a Jacobin US, esse aumento significativo da fortuna acontece porque, no período, as empresas destes bilionários, que atuam em áreas de serviços essenciais, suprimiram os custos do trabalho, conseguindo fugir dos impostos por isenções dadas pelo governo e escapando de limites impostos por agências reguladoras. Ou seja: a confusão pelo período pandêmico derrubou proteções aos trabalhadores e consumidores, o que teria feito com que estas empresas obtivessem maiores margens de lucro no período.

A Amazon, de Jeff Bezos, criou para o bilionário mais $70 bilhões naquela que já é a maior fortuna do mundo. Entretanto, uma série de medidas legais e protestos dos trabalhadores se seguiram, pois a Amazon foi sistematicamente acusada de violar os protocolos de segurança em relação aos trabalhadores que atuam nos depósitos da empresa que só faz vendas on-line. Ainda em outubro, haviam diversos trabalhadores que não estavam adotando as medidas de segurança protocolares por falta de treinamento. Com o contato direto com as encomendas, algo assim não coloca em risco apenas os trabalhadores, mas também consumidores. Além disso, trabahadores alegaram estarem exaustos com o aumento vertiginoso de horas de trabalho em decorrência do maior volume de encomendas. 

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Jeff Bezos - Seattle City Council (Divulgação)

Os maiores lucros foram de Jeff Bezos, seguido da família Walton dona da Walmart com um crescimento de $48 bilhões e John Tyson, da Tyson Foods, com um crescimento de $600 milhões.