Jornal Rio grande

Motoristas de aplicativo pedem segurança em carreata pela cidade

  • Matheus Magalhães da Silva
  • 27/11/20 as 17:09

Aconteceu nesta sexta-feira, 27, uma carreata de motoristas de aplicativos pedindo por conscientização e ajuda das autoridades no combate a violência. O evento foi motivado por um assalto e tentativa de homicídio que ocorreu com um motorista onde este foi golpeado com objeto cortante por um grupo de três pessoas. Já há histórico de violência e assaltos em relação aos motoristas, sobretudo os que trabalham a noite. Muitas vezes, até mesmo, outras pessoas requerem o serviço dos motoristas para que um terceiro cometa o crime e não fique registrado sua identidade no aplicativo. Este é um dos pontos que os motoristas ressaltam em seu protesto.

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Motoristas se reunem para dar início a carreata - Matheus Magalhães da Silva

Munidos de balões em amarelo e preto, os motoristas saíram da concentração, que aconteceu na rua Apelles Porto Alegre na altura da intersecção com o canalete da rua Salgado Filho, por volta das 14:50 e seguiram em direção a delegacia da Policia Civil, passando no caminho pela Prefeitura Municipal de Rio Grande. Wayner Flores, 36, um dos organizadores do protesto ressaltou que o movimento é pacífico: “nós vamos fazer de forma pacífica e ordeira, vamos passar na Prefeitura Municipal que também respondem por segurança pública e vamos passar na Delegacia Civil que tem responsabilidade de fiscalizar”.

 

Reivindicações dos motoristas

Flores revelou que o protesto possui quatro eixos. O primeiro se detém na vontade de chamar a atenção para o sentimento de insegurança que os motoristas, sobretudo os que trabalham a noite, sentem enquanto estão exercendo seu ofício: “queremos chamar a atenção da polícia militar que é preciso serem feitas algumas intervenções como já foi feito no passado, porque não perguntamos para as pessoas que sobem no nosso carro o CPF, RG, não pedimos ficha criminal, não sabemos se na mochila dele ele está carregando drogas ou não. Então seria interessante fazer algumas abordagens nesse sentido, de que os passageiros fossem verificados”.  

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Grupo de motoristas discutem o trajeto a ser percorrido - Matheus Magalhães da Silva

O segundo eixo seria alertar a população sobre a sua responsabilidade na hora de fazer uso do serviço do aplicativo: “a população tem responsabilidade de não chamar um carro para terceiros porque irão responder por isso”. O terceiro eixo, segundo Flores, seria um questionamento em relação à justiça que acaba por soltar meliantes que já incidiram em crime anteriormente: “na grande maioria dos casos de assalto, as pessoas são reincidentes: no último caso que tivemos onde o motorista foi esfaqueado, o meliante já respondeu processo por assalto e estava na rua havia alguns dias”. O quarto e último eixo seria o pedido de que as pessoas envolvidas nos assaltos sejam identificadas e presas.

“É chamar atenção da sociedade que a polícia militar precisa intensificar os trabalhos, segundo o munícipe e usuário do transporte precisa ser responsável e, terceiro, as autoridades precisam se alertar de que a insegurança passa pelo judiciário e por aqueles que acabam colocando na rua pessoas não deveriam estar nas ruas”, completa.

Dagoberto Peraça Marques, 65, conta que o movimento dos motoristas espera, a partir da ação, uma receptividade da Brigada Militar: “esperamos uma receptividade e desenvolver ação semelhante as ações que eles desenvolveram no ano passado quando teve o caso do homicídio bárbaro de um taxista”. Marques ressalta que a esperança é por uma posição de averiguar e permitir uma abordagem de checar os passageiros, se apresentam algum tipo de risco ao motorista: “isso causa uma segurança maior para a gente que trabalha e, ao mesmo tempo, causa um alerta nesses indivíduos que agem desta maneira para que eles não invistam contra os motoristas de aplicativo”. Marques salienta, novamente, que os usuários de aplicativos de transporte tenham conhecimento sobre sua responsabilidade: “o aplicativo é individual então, muitas vezes, estes marginais pedem para outra pessoa chamar no aplicativo dizendo que estão sem internet ou telefone e a pessoa acaba ajudando eles a cometer os crimes porque eles ficam responsáveis”.

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Motoristas pararam na frente da Delegacia de Policia Civil - Matheus Magalhães da Siva

Daísa Vianna Brião, 37, é motorista de aplicativo há 3 anos.  Apesar de não ter sido assaltada, ela conhece pessoas que já foram. Ela reconhece que existe suspeita de as pessoas envolvidas no assalto e tentativa de homicídio nesta semana serem as mesmas que vitimaram um outro motorista que ela conhece. “Segura a gente nunca se sente e enquanto mulher temos outros agravantes que nos deixam muito mais inseguras e não teve um dia que eu tenha saído para trabalhar e tenha me sentido segura”, revela. Brião, que também trabalha ocasionalmente à noite, ressalta que alguns dias se sente um pouco mais tranquila no trabalho, mas que a insegurança faz parte do trabalho de um motorista de aplicativo. Ela afirma que, dos aplicativos com que trabalha, como Uber e 99, o suporte aos motoristas que passam por situações dessa natureza não é satisfatório a partir de relatos que ela ouviu e que a burocracia é muito grande, sendo que o último passo a ser feito é o contato com o suporte.

Por fim, ela ressalta que sua expectativa é de que um dia os motoristas consigam dialogar e ter uma parceria e algum retorno das autoridades. “A ideia é sempre tentar pensar junto, por mais que a gente saiba da situação do policiamento, econômica, outros agravantes que afetam a questão da insegurança, a ideia é participar na esperança de que se consiga alguma melhoria”.