Jornal Rio grande

Gaúcho Andarilho

  • João José Reinbrecht Braga
  • 28/11/20 as 11:45

Como nosso jornal está sendo lido também no Rio de Janeiro, aqui vai um pequeno texto para que, entre outros cariocas, o meu cunhado Luiz Sérgio tenha uma idéia sobre o Gaúcho Andarilho. 

***

Troteando a “lo largo”, anda o gaúcho campeiro, pelos pagos distantes, vivendo a vida que o Patrão Maior lhe deu.

Montado em seu cavalo, o melhor companheiro cavalga pela estrada afora, pilchado como lhe é melhor, e o cavalo encilhado com os arreios de muitas utilidades. No vento, retira o chapéu tapeado na testa ficando a melena igual ao trigal na ventania. No calor, o lenço maragato vai amarrado na cabeça, impedindo que o suor lhe escorra pela testa, indo regar-lhe os olhos. Na cintura, a faixa que protege os rins, do tranco do trote do seu cavalo, bombachas largas e surradas, sendo presa à cintura pela guaiaca que traz presa, uma adaga, que tanto lhe servirá.

Na mala de garupa, sempre pendurada na cernelha do pingo, uma garrafa de pura, que esquenta no frio e refresca no calor, uma tira de fumo em rama e umas palhas de milho para fechar seu palheiro, uma tesoura de tosquia que lhe dará serviço e uma chave de arame para alguma eventualidade e na garupa, a mala de poncho, atada com tentos de couro no lombilho. 

Cavalgando por corredores e caminhos, parando em cada galpão para pousar e, quem sabe, algumas ovelhas para tosar e separar o velo, em troca de “bóia” e algumas patacas para gastar num bolicho qualquer. Na noite, o pelego lhe serve de colchão, o lombilho, de travesseiro, tirador e poncho, de cobertas.

Assim foram mais um dia e uma noite. Quando o sol aparecer, o gaúcho sai novamente pelos caminhos indefinidos, despedindo-se do que ficará para trás, olhando para o encontro do chão com o céu, ouvindo o canto dos pássaros, em busca da realização dos sonhos que, quem sabe, um dia se realizarão.

 

João José Reinbrecht Braga, o Prof. Maninho, é ocupante da Cadeira 34 da Academia Rio-Grandina de Letras