Jornal Rio grande

Ah! O Rio Grande...

  • Maria Duhá-Klinger
  • 04/12/20 as 10:19

 

Aos meus olhos, o mar e o casario me remetem a Lisboa.  Rio Grande é tudo.  Muito... Além de ser o único porto de mar no estado do Rio Grande do Sul, de ter um balneário de proporções gigantescas (a extensão de praia maior do mundo se formos levar em consideração Santa Vitória),  um vento incessante para ser transformado em energia e um pulso universitário de vanguarda, a cidade possui todos os requisitos necessários para obter muito sucesso neste século.

Deixei de morar no Rio Grande quando era muito pequena. Voltava frequentemente para passar as férias no Cassino, depois a vida me levou para outras terras… e nunca mais voltei. Agora, muitos anos depois, resolvi resgatar a memória da minha família, e a única forma de fazê-la seria através da história da cidade, que eu não conhecia. Neste processo voltei e descobri que eu saí da cidade, mas que Rio Grande nunca saiu de mim.

Quando comecei a pesquisa para o projeto, me deparei com um desafio: onde encontrar documentação para fundamentar visualmente a minha produção? O primeiro passo para iniciar o trabalho foi identificar e contactar por email organizações e museus locais, todas ligadas com o serviço público.

Acredito que devido à pandemia o trabalho estava suspenso, e por isso não obtive nenhuma resposta  Não desanimei. Quase 3 meses depois a Fototeca do Rio Grande me contactou. O email assinado por Gianne Atallah desculpava-se da demora, e oferecia o acervo da Fototeca, desde que formulários burocráticos  fossem preenchidos. E assim, foi… O serviço da instituição foi profissional. Impecável.

Durante este periodo me deparei no Facebook com a página Fatos e Coisas de Antanho do Rio Grande, uma comunidade virtual com mais de 33.000 mil pessoas. Este encontro acrescentou rapidez na informação que eu necessitava. Ali encontrei não só conhecimento sobre a cidade, mas, acima de tudo, calor humano. Qualquer pergunta que fazia (mostrando minha ignorância) era respondida por uma média de 300 pessoas. Os administradores Ronaldo Morgado Segundo e Rosana Joy se engajaram no projeto e o resultado está lá, no vídeo.  Definitivamente, a magia papareia mora no Facebook…

Minha prima Lolena Duhá Lose, uma riograndina, que conhece a cidade como ninguém,  sugeriu o nome de Maria Amélia Goretti Estima Marasciulo como fonte de informação. Eu já tinha me deparado com o nome dela na página do Facebook,  quando postei uma imagem belíssima da Catedral de São Pedro, que tinha encontrado na internet. A minha pergunta para esta foto era: se a matriz ainda existia. Imediatamente uma avalanche humana respondeu orgulhosamente que sim. Entre essas resposta estava a de Maria Amélia dizendo que a imagem que eu tinha postado era de autoria dela, de um quadro do Professor Farjat (1936). Ela tinha tirado esta foto do quadro, que estava pendurado numa das paredes do Colégio Estadual Lemos Júnior, a foto tinha viralizado e se tornado domínio público.

n/d

Usei esta foto num grande momento da história da minha família,  quando revelei que a escrava alforriada, a primeira semente da Familia Duha no Rio Grande, tinha sido batizada nesta igreja em 1774.

Maria Amélia ou Mamélia, como carinhosamente é conhecida, administra o Arquivo Papareia. É de uma organização e conhecimento sobre a cidade exemplar. O Arquivo Papareia é uma instituição por si só. Acredito que o seu acervo fotográfico possa ser rivalizado com coleções de outros órgãos governamentais, não só da cidade mas também do estado do Rio Grande do Sul.

Este tipo de conhecimento e amor pela cidade, que encontrei em todos, vem corroborar a minha ideia de que a hospitalidade papareia, a habilidade em relacionar-se uns com os outros, é a grande riqueza do Rio Grande ...

Um lugar e um povo encantador!  Obrigada, Rio Grande!

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Confira o documentário citado no artigo clicando no player abaixo:

 

História de uma cidade e de uma família - Rio Grande e a Família Duha from MagicGEO on Vimeo.