Jornal Rio grande

Os ídolos e os anjos desconhecidos

  • Ique de la Rocha (ique@jornalriogrande.com)
  • 05/12/20 as 11:14

 

Em comentário anterior falei que não sou chegado a ídolos, embora tenha alguns, porque muitos são forjados pela mídia e, com um pouco mais de informação, a gente acaba descobrindo que não são o que se apregoa. Abordei isso até para justificar minha admiração por Diego Maradona que, afora sua genialidade na arte do futebol, também fora do campo, apesar dos pesares e de suas vaciladas enormes, conquistou um país inteiro (a Argentina), mais o sul da Itália e milhões de fãs pelo mundo todo. Ele não se colocou num pedestal, mas se mostrou como verdadeiramente era: um ídolo de carne e osso, com virtudes e defeitos.

Pois, aproveitando essa questão dos ídolos, tem uma psicografia de Chico Xavier com o espírito Emmanuel, que considero linda, onde ele fala que, muitas vezes, a gente idolatra outras pessoas, coloca-as num pedestal e não vemos que ao nosso lado temos alguém que zela por nós, como verdadeiro anjo da guarda, e que não recebe da nossa parte a mesma idolatria, muitas vezes nem reconhecimento. São os “Anjos desconhecidos”, cujo texto quero compartilhar com vocês e é o seguinte:

 

ANJOS DESCONHECIDOS

Autor: Emmanuel.

Psicografado por Chico Xavier

“Há guardiães espirituais que te apoiam a existência no plano físico e há tutores da alma que te protegem a vida na Terra mesmo.

Frequentemente, centralizas a atenção nos poderosos do dia, sem ver os companheiros anônimos que te ajudam na garantia do pão. Admiras os artistas renomados que dominam nos cartazes da imprensa e esqueces facilmente os braços humildes que te auxiliam a plasmar, no santuário da própria alma, as obras primas da esperança e da paciência. Aplaudes os heróis e tribunos que se agigantam nas praças, todavia, não te recordas daqueles que te sustentaram a infância, de modo a desfrutares as oportunidades que hoje te felicitam.
Ouves, em êxtase, a biografia de vultos famosos e quase nunca te dispões a conhecer a grandeza silenciosa de muitos daqueles que te rodeiam, na intimidade doméstica, invariavelmente dispostos a te estenderem generosidade e carinho.

Homenageia, sim, os que te acenam dos pedestais que conquistaram, merecidamente, à custa de inteligência e trabalho; contudo, reverencia também aqueles que talvez nada te falem e que muito fizeram e ainda fazem por ti, muitas vezes ao preço de sacrifícios pungentes.

São eles pais e mães que te guardaram o berço, professores que te clarearam o entendimento, amigos que te guiaram a fé e irmãos que te ensinaram a confiar e servir... Vários deles jazem agora, na retaguarda, acabrunhados e encanecidos, experimentando agoniada carência de afeto ou sentindo o frio do entardecer; alguns prosseguem obscuros e devotados, no amparo às gerações que retomam a lide terrestre, enquanto outros muitos, embora enrugados e padecentes, quais cireneus do caminho, carregam as cruzes dos semelhantes.

Pensa nesses anjos desconhecidos que se ocultam na armadura da carne, e, de quando em quando unge-lhes o coração de reconhecimento e alegria. Para isso, não desejam transfigurar-se em fardos nos teus ombros. Quase sempre, esperam de ti, simplesmente, leve migalha das sobras que atiras pela janela ou uma frase de estímulo, uma prece ou uma flor”.