Jornal Rio grande

Fatos e coisas de Antanho 09/12

  • Redação JRG
  • 09/12/20 as 10:00

n/d

 

Coluna fundada por Manoel Pinto Ferreira Junior

 

9 de dezembro

1755 – Gomes Freire de Andrade, em ofício enviado da Vila do Rio Grande, onde se encontra, a Diogo de Mendonça: participa ter mandado cercar as principais estâncias reais; ter vendido 20 mil cruzados de couros e comprado uma casa para residência do Governador da praça do Rio Grande por 9.500 cruzados.

1832 – Manoel Gomes Guimarães, morador nesta vila há mais de 40 anos, estabelecido na mesma, faz saber que se retira para a de S. Francisco de Paula. Todas as peças que com ele tiveram contas, compareçam em sua residência para as justar e pagar.

1858 – A esquadrilha destinada ao Rio da Prata, e que há 60 dias se acha neste porto, entrou a Barra em má hora.

Quatro são as vezes que estes vasos hão buscado saída e, conquanto alcançassem por duas vezes, foram caiporas que tiveram de arribar por força maior.

Ontem estava tudo preparado para a terceira saída e, quando a canhoneira “Ivahy” ia deixando o nosso ancoradouro, abalroou no brigue nacional “Puritano”, que entrara do Rio de Janeiro, de modo que ambos sofreram com o choque, sendo que os estragos que recebeu o brigue foram tais que ontem mesmo principiou a descarregar pela muita água que fazia, enquanto que a canhoneira seguiu para a Barra.

           

Do relatório do Presidente da Província:

“Câmara de São José do Norte – A esta Câmara mandei entregar a quantia consignada na lei do orçamento em vigor, para remoção das areias, que estorvam o trânsito de suas ruas. A despesa feita pela Fazenda Provincial com esse trabalho, até o presente, monta a 35:801$960, tendo apenas conseguido algum benefício momentâneo”.

1877 – O gado, este ano, abunda nos campos dos criadores gordo, como há muito tempo não há exemplo. Mas, não obstante, a carne, nos açougues da cidade, ainda se retalha a alto preço de 200 réis o quilo.

Em Pelotas, porém, há dois dias que baixou a carne a 160 réis, preço razoável para o consumidor e de vantagem ainda para o vendedor.

1879 – Existe um sobrado à rua Andradas, antiga da Alfândega, cujos moradores tem o péssimo costume de fazer, à noite, despejo de águas servidas, atirando-as pela janela.

Ontem, uma família que passava recebeu em cheio uma tremenda bacia dágua, ficando em estado capaz de desafiar o riso ao mais aperrado misantropo. As vítimas, porém, é que não tiveram a menor vontade de rir, nem acharem espírito em semelhante gaitada.

Acontece muitas vezes que o líquido está em tal estado de corrupção, que a própria vizinhança vê-se obrigada a retirar-se das janelas.