Jornal Rio grande

"Superfungo" que pode levar a óbito e é muito resistente foi identificado no Brasil

  • Matheus Magalhães da Silva
  • 09/12/20 as 16:06

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Centers for Disease Control and Prevention - Divulgação

O ano de 2020 parece que não termina: um novo superfungo chegou ao Brasil e causou consternação por parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O Candida Auris, da família da cândida, foi descoberto em 2009 e ainda náo havia chegado ao Brasil. Porém, um homem internado na Bahia por covid-19 teve o fungo identificado em seu corpo, o que deixa claro que o Candida Auris tardou mas chegou ao nosso país em plena pandemia de coronavírus.

O fungo foi identificado inicialmente na orelha de uma mulher japonesa. As duas características que tornam o fungo mais perigoso é a dificuldade em identifica-lo corretamente e sua resistência aos antibióticos disponíveis atualmente. Na verdade, o fungo é considerado como resistente a praticamente todos os medicamentos existentes o que dificulta muito seu tratamento. A "criação" dos chamados superfungos acontece por um motivo bastante comum: a ingestão de antibióticos. Estes começam a matar as bacterias presentes no corpo, o que deixa um terreno livre para os fungos, que até então não eram prejudiciais, se desenvolverem de forma descontrolada o que os lega mais capacidade de fazer mal e de sobeviver aos medicamentos que os combatem quando fora de controle.

O grande medo dos agentes de saúde pública é a proliferação do fungo no ambiente hospitalar. Ele é capaz de infectar instrumentos de uso em hospitais. Para piorar é difícil conseguir limpar os instrumentos de forma a livra-los dos resíduos onde o superfungo se encontra devido ao fato de que ele possui grande aderência e se fixa com facilidade nos instrumentos.

Entretanto, os casos ainda são poucos no mundo e a taxa de mortalidade não é considerada altíssima: 39% dos infectados vieram a óbito, sendo que dentro do grupo de infectados no mundo 45% foram a óbito quando o fungo chegou ao sangue. Não existe motivo para pânico, mas a Anvisa alerta para cuidados redobrados em ambientes hospitalares. Como o fungo é mais perigoso para quem está com comorbidades, a mistura dele com os quadros de coronavírus pode tornar o atual cenário ainda mais perigoso.