Jornal Rio grande

Jornal Rio Grande há 50 anos - 10/12/1970

  • Redação JRG
  • 10/12/20 as 9:17

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Quinta-feira, 10 de dezembro de 1970

Lei que denomina Distrito Industrial foi assinada em contra-torpedeiro

Um dos atos de maior expressão, dentre as comemorações do Dia do Marinheiro na terra natal do Patrono da Marinha, será, sem dúvida, a assinatura da lei municipal que denomina  “Bairro Industrial Tamandaré” a área localizada à margem do canal de acesso, por onde se estenderão as instalações portuárias e se erguerá o Distrito Industrial de Rio Grande.

A assinatura solene da lei será feita pelo prefeito Cid Scarone Vieira, neste sábado, 12 de dezembro, às 15 horas, no cais da Fertisul, e acontecerá a bordo do contra-torpedeiro “Araguari”, eu rumará para a zona da Barra e atracará no Píer Petroleiro, levando autoridades e convidados.

Calçamento de diversas ruas ainda este mês

Diversas ruas da cidade deverão receber calçamento ainda este mês, de acordo com informação do prefeito Cid Scarone Vieira. Para isso, a Prefeitura receberá empréstimo de 400 mil cruzeiros da Caixa Econômica Estadual.

Esta quantia será empregada, inicialmente, no calçamento de ruas em que os proprietários de imóveis tenham capacidade contributiva, pois terão como contra-partida a valorização de suas propriedades. Concluída a obra, a taxa de pavimentação começará a ser paga e o “capital de giro” irá sendo restaurado, a fim de que a Prefeitura possa dar continuidade a esse trabalho.

A Prefeitura pretende calçar ruas da Cidade Nova com o material retirado daquelas em que a pavimentação será inteiramente renovada.

Ex-prisioneiros de campo de concentração reencontram-se... no xadrez da DP

Um estranho encontro verificou-se à noite de segunda-feira passada na Delegacia do 1º Distrito. Tudo começou quando dois homens que beberam demais foram recolhidos pela Polícia.

O primeiro dormia sob uma árvore da praça Tamandaré e foi levado à DP por policiais até que amainassem os efeitos do álcool. O outro, quase no mesmo estado de embriaguez, estava caído numa rua da zona central e teve o mesmo destino.

Quando eles se encontraram, viram que as fisionomias eram conhecidas e a memória se aclarou até que se envolveram num grande abraço. Ambos tinham sido companheiros de prisão há muitos anos, num lugar cuja denominação até hoje ainda causa horror: Treblinka, o famoso campo de concentração nazista.

O que se encontra radicado em Rio Grande foi feito prisioneiro de guerra quando lutava contra tropas invasoras do seu país. O segundo, que hoje é marítimo, foi levado para lá, quando o povo polonês sofria toda a sorte de crueldades. Um dia, um deles se evadiu e terminou alcançando a Inglaterra, onde se tornou soldado e lutou em solo italiano. O outro ficou em Treblinka, testemunhando  o desprezo que os nazistas votavam à vida humana, mas conseguindo ficar vivo até a vitória final para ganhar a libertação.

Estes homens voltaram a encontrar-se depois de passado mais de um quarto de século. Conheceram-se numa prisão terrível e vieram a ver-se de novo também como prisioneiros, embora a diferença seja muito grande entre o tristemente célebre campo de Treblinka e os bancos confortáveis da 1ª DP, onde estavam apenas detidos, numa medida que era mais de proteção do que punitiva.