Jornal Rio grande

Rio Grande não está na rota da aviação regional

  • Ique de La Rocha
  • 14/12/20 as 19:03

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O vôo entre Porto Alegre-Pelotas -Rio Grande, em 7 de maio de 1927, deu início às operações da Varig, a extinta Viação Aérea Rio-grandense, que tanto orgulhou gaúchos e brasileiros. A cidade portuária do Rio Grande ao longo do tempo esteve na rota da aviação regional por sua importância estratégica. Nos anos de 1950/60 muitos lembram dos vôos da Savag. A partir dos anos 70 tivemos, além da própria Varig com a Rio-Sul, outras empresas operando em nosso aeroporto. E não só isso: antes mesmo do Polo Naval, a linha aérea Rio Grande-Pelotas-Porto Alegre se justificava mais por causa do porto local do que qualquer outro motivo. Inclusive o maior número de embarques de passageiros era no aeroporto do Rio Grande, que muitas vezes chegavam a ocupar até 70% da lotação das aeronaves. Quem não lembra que, devido a esse movimento, chegou-se a cogitar a construção de um aeroporto regional em nosso município?

Os tempos de hoje são outros, dirão alguns, mas nosso porto continua recebendo a todo momento a visita de empresários e executivos, enquanto nosso aeroporto só não está às moscas porque de vez em quando chega algum avião executivo ou táxi aéreo.

O momento é de crise na economia. Devido a pandemia vôos são cancelados, mas nada disso justifica o esquecimento a que o município do Rio Grande está sendo relegado. Nossa população votou maciçamente no atual governador, que aqui teve cerca de 80% dos votos, mas a cada dia parece que estamos nos tornando um bairro de Pelotas. Até no mapa da Covid Rio Grande não figura. Está na região de Pelotas. Ainda nesta segunda-feira, 14, o site do Governo do Estado informa que o executivo gaúcho assinou decreto que fortalece medidas de incentivo à aviação regional.   Para diminuir o impacto no transporte aéreo dos impactos causados pela pandemia, o Estado está reduzindo a base de cálculo do ICMS na aquisição de querosene para as companhias. Ótimo.

O que, em nosso entendimento, não agrada, é a citação de várias cidades do interior que vão ter linhas aéreas e Rio Grande não figura. Na região os voos irão somente até Pelotas e fica a pergunta: será que Pelotas passou a ter demanda maior que Rio Grande nos vôos regionais ou a força política mais uma vez está imperando e nós assistimos a tudo, como sempre, sem nenhuma reação? Daqui a pouco até os passageiros que vem para tratar de assuntos na área portuária ou industrial vão terminar se hospedando na bela Princesa do Sul.  

As operações previstas no interior do RS

Segundo a notícia de hoje do Governo do Estado, atualmente, o RS tem seis linhas aéreas em operação, sendo que duas delas começaram hoje, Torres e Canela, ambas operadas pela Azul.

“Já temos operações em 15 cidades do Rio Grande do Sul. Nenhum outro Estado chega perto do que o Rio Grande do Sul tem”, afirmou o presidente da Azul, John Rodgerson. Dentre essas 15 estão as quatro rotas em operação, as duas inauguradas hoje mais Pelotas e Santa Maria.

Uruguaiana, Caxias do Sul e Santo Ângelo devem ser retomadas em fevereiro e as demais – São Borja, Santana do Livramento, Bagé, Santa Rosa, Erechim, Passo Fundo e Vacaria – ao longo do próximo ano.

E nós? Tem alguma liderança, política ou empresarial, que possa nos responder?