Jornal Rio grande

O exemplo alemão no combate à Covid

  • Ique de la Rocha (ique@jornalriogrande.com)
  • 15/12/20 as 1:46

 

A Alemanha foi praticamente destruída durante a II Guerra Mundial e, após sair derrotada do conflito, teve seu território dividido em dois (a Alemanha Ocidental e a Alemanha Oriental, esta última sob o domínio dos russos), mas olhou para a frente, derrubou o “Muro da Vergonha” e se reergueu rapidamente, ao ponto de ser hoje a maior economia da Europa e, certamente, está entre as cinco maiores potências do mundo.

Interessante é que um país com empresas do porte de uma Volkswagen, Bayer, Daimler, Allianz, BMW, Siemens, Lufthansa, Merck, Basf e tantas outras, tem sua força alicerçada nas pequenas e médias empresas, que representam nada menos que 99,6% das empresas alemãs. É uma economia muito forte e um exemplo de quanto os países, inclusive o Brasil, deveriam investir mais nas pequenas e médias empresas. Enquanto nossos governos continuarem apoiando somente os grandes, muitos deles que se viciaram em viver às custas de incentivos, e não der oportunidade de outros também crescerem, a economia brasileira vai ter muita dificuldade em se desenvolver e estaremos cada vez mais fragilizados perante a concorrência das empresas multinacionais.

A pandemia da coronavírus não está poupando ninguém e também atingiu em cheio a Alemanha. A gente imagina que, pela potência que é, aquele país deve ter mais recursos e melhores condições nas áreas da saúde e hospitalar para enfrentar o vírus. Mas o governo não perdeu tempo e a chanceler Angela Merkel não titubeou: determinou o fechamento do comércio e das escolas até o dia 10 de janeiro. Não levou em conta o Natal ou o que as pessoas vão deixar de faturar. Colocou a vida da população em primeiro lugar.

Da mesma forma que não dá para contrariar a ciência, negar a letalidade do vírus da Covid, nem o fato de a rede hospitalar não ter como absorver todos os infectados se a pandemia continuar se alastrando, cremos que dessa vez os negacionistas não terão o que dizer para desconstruir Angela Merkel, que hoje é, senão a maior, uma das maiores lideranças do mundo, inegavelmente.

Bom seria para o Brasil e o povo brasileiro, que nosso presidente e seus seguidores refletissem sobre a atitude do governo alemão e também que, se nós tivéssemos cumprido com as regras do isolamento, nesta véspera de Natal todos poderiam estar trabalhando e vendendo, tratando dos preparativos para as festas de fim de ano, como sempre aconteceu.

Diante do perigo da Covid os alemães já decidiram por um novo recuo da economia, em pleno período de final de ano. Outros países deverão fazer o mesmo. Será inteligente o brasileiro continuar com essa postura de achar que tudo não passa de uma “gripezinha”, enquanto as pessoas estão morrendo ou sofrendo com a proliferação do vírus? Vamos ver quem vai conter o avanço da pandemia primeiro, se o Brasil ou a Alemanha, e aí poderemos tirar nossas conclusões sobre quem está certo, se alguém ainda tem dúvida disso.