Jornal Rio grande

Não é mais o peixe que morre pela boca

  • Jorge Hohmann
  • 31/10/20 as 13:50

 

Imagino que  em uma entrevista com a senhora que responde pelo ministério da agricultura,  se alguém pedir-lhe sua definição do que seja uma “alimentação saudável”, e na sequência, dar destaque para os alimentos (?) ultraprocessados como grandes responsáveis pela falência lenta e paulatina dos órgãos  vitais da população, é muito provável que a resposta, sempre antecipada por um coice,  seria com outra pergunta, tipo: - “o que você tem contra os ultraprocessados”?

Cabe descobrir se a ministra defende-os por convicção ou submete-se ao lobby das transnacionais indústrias alimentícias que tem nos ultraprocessados a sua principal fonte de lucro. O tema vem à tona exatamente pelo fato de que esta senhora trabalha junto ao ministério da saúde -  que, de momento, é conduzido por um paraquedista ( e não vale rir) -  para que a expressão “alimentos processados” seja retirada do Guia Alimentar para a População Brasileira. É tipo uma babaquice escrotal igual à do outro “doente” que queria deixar passar a boiada da ilegalidade para tocar fogo até nos campos de futebol. A antipatia dessa gente pelas coisas do bem ou por medidas que tragam o bem já transpôs os sentimentos de indignação dando espaços para a chacota nacional e o desprezo diplomático mundial . Essa história da ministra que, ao fim e ao cabo, incentiva uma alimentação corrosiva para a população, já faz crescer nos supermercados a demanda de comidas prontas, tipo pizzas, lasanhas, hambúrgueres, miojos, enfim... em cujas tabelas nutricionais impressas em suas embalagens, deveria por obrigatoriedade constar também o termo “ esse produto não é recomendado para quem cuida da sua saúde”.  Algumas fábricas destas porcarias já se prestam até para aplicar pegadinhas nos clientes incautos. Uma delas é a da maionese que se diz “caseira”. Pura mentira. É fabricada pela Cargill ( uma fábrica, portanto. E não na casa de ninguém).  Entre seus vinte e três ingredientes (eu faço com três: ovo, óleo e alho) estão o amido modificado, acidulante ácido cítrico, estabilizante goma xantana, aromatizantes, conservantes sorbato de potássio e benzoato de sódio, glutamato monossódico , corante natural urucum, sequestrante EDTA cálcio dissódico e antioxidante TBHQ. 

Isto sem falar nas bolachinhas, refrigerantes, presuntos, mortadelas, salsichas, salsichões...uma fábrica de gordura vegetal hidrogenada, óleos interesterificados, xarope de frutose, isolados proteicos, agentes de massa, espessantes, emulsificantes, corantes, aromatizantes, realçadores de sabor e vários outros tipos de aditivos. Num País que está sempre na contramão do bom senso praticado pelos países civilizados, dar as costas para o consumo excessivo dessas joças é como endossar aquele pensamento idiota de que a Covid era só uma “gripezinha”.

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O futebol brasileiro anda tão pobre, tão chato e tudo agravado pela monitorização de  um “VAR paraguaio” que, sinceramente, de momento, nada a declarar.

 

Jorge Hohmann é radialista.

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