Jornal Rio grande

17 bancários já contraíram a Covid-19 na cidade

  • Ique de la Rocha (ique@jornalriogrande.com)
  • 18/12/20 as 10:30

 

Uma das categorias de trabalhadores que ficam expostas à contaminação da Covid-19 é a dos bancários. Dependendo da função, esses profissionais precisam manusear grande volume de dinheiro, que está sempre circulando entre as pessoas. Só isto já preocupa, mas há outras situações que são difíceis de evitar. “Um grande número de pessoas circula nas agências. Esta ainda é nossa maior preocupação”, observa a coordenadora de Imprensa e Comunicação do Sindicato dos Bancários do Rio Grande, Simone Borba Oliveira.

O sindicato local também conta com um coordenador de Saúde, que é Silviomar Fraga Martins. Ele diz que, desde o início da pandemia, houve um acordo entre a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, a Contraf, que é a representante máxima da categoria, e a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), que representa a classe patronal.

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Silviomar Martins e Simone Oliveira, do Sindicato dos Bancários. Foto: JRG

Protocolo próprio e os casos de Covid

As duas partes acordaram que, em caso de contaminação ou suspeita de contaminação de algum funcionário, a agência tem de ser sanitizada, “que é uma limpeza mais profunda que a higienização, feita por empresa especializada”. Ele explica:

- Se o funcionário estiver com sintomas, será colocado em quarentena ou em isolamento e irá procurar ajuda médica. Se testar e der positivo, os colegas que estiveram com ele também entram em quarentena e a agência terá de ser sanitizada. O funcionário afetado vai seguir o protocolo da Vigilância Sanitária, enquanto os demais que entram em quarentena vão aguardar o resultado do colega. Se der negativo eles voltam ao trabalho, senão só voltam depois de testados ou de 14 dias de isolamento. Esse é o protocolo.

Os bancários têm um plano de distanciamento controlado próprio, mais abrangente que outras categorias. Na bandeira laranja as agências podem funcionar com 75% do quadro de funcionários. Na bandeira vermelha a limitação aumenta para 50% do efetivo e, em caso de bandeira preta, as agências só podem utilizar 25% dos funcionários.

Indagados sobre o cumprimento do protocolo, Silviomar e Simone dizem que isso está acontecendo nas agências do município e também de São José do Norte, Santa Vitória do Palmar e Chuí, que é a área de abrangência do sindicato local. “As vezes acontece das agências pretenderem colocar um pouco mais de funcionários do que o firmado em nível nacional, especialmente em períodos de maior demanda,  mas está sendo cumprido”, diz Simone Oliveira.

Já Silviomar Martins informa que nos quatro municípios da região existem 453 bancários. Desses, foram registrados desde o início da pandemia 17 casos de Covid nas agências do Rio Grande, incluindo vigilantes de empresas terceirizadas, dois em São José do Norte, dois em Santa Vitória do Palmar e 1 no Chuí.

Demissões durante a pandemia

Durante a pandemia o Sindicato dos Bancários registrou seis demissões no setor só na cidade do Rio Grande: todos do Bradesco. As agências do Itaú e Santander não demitiram. Também tiveram bancários que aderiram ao Plano de Demissão Voluntária (PDV) do Banrisul. Nos quatro municípios da região 18 funcionários aderiram ao PDV.

Com relação às demissões no Bradesco, elas não tiveram relação com a pandemia. É que aquela instituição transformou várias de suas agências em Unidade de Negócios, como a agência local da rua Marechal Floriano, que fica de frente para a rua Ewbank. Silviomar Martins explica como funcionam as Unidades de Negócios do Bradesco: “é como se fosse um escritório bancário. Não tem dinheiro físico e o caixa físico foi extinto. Só ficaram os caixas automáticos e quem administra esses caixas não é mais o banco, são empresas terceirizadas. Com isso os antigos caixas perderam seus postos de serviço. Apesar do Bradesco ter afirmado, quando da criação do projeto, em abril, que ninguém seria demitido, que iria readequar os funcionários, em outubro começaram as demissões e tivemos seis colegas demitidos aqui, enquanto no Brasil foram cerca de três mil”.;

Nova coordenadoria assumiu há pouco

A atual coordenadoria do Sindicato dos Bancários foi eleita em outubro, de forma virtual. O pleito teve chapa única e a posse aconteceu dia 30 de novembro, sem nenhuma solenidade devido a pandemia. No período das 9h às 17h os eleitos compareceram na sede do sindicato para assinar o termo de posse.

A nova coordenadoria executiva é formada pelo coordenador de Finanças, José Luis Mendonça Neto; coordenadora de Patrimônio, Lislaine Silva de Quadro, e o secretário geral Ângelo de Carvalho Terra. A Coordenadoria Política é formada pelo coordenador de Saúde, Silviomar Fraga Martins; coordenadora de Imprensa e Comunicação, Simone Borba Oliveira; e o coordenador de Políticas Sociais, Eduardo Martins Moreira Poffal.

Uma das primeiras medidas adotadas após a posse foi a suspensão das atividades da Colônia de Férias do Cassino, situada num quarteirão próximo à antiga base dos foguetes e à nova rodoviária, devido ao agravamento da pandemia. Ficou determinado que ela não abrirá neste verão.