Jornal Rio grande

Ele voltou!

  • Prof. Péricles Gonçalves
  • 31/10/20 as 14:09

 

Comunidade sem jornal é comunidade sem história. Os registros dos periódicos possibilitam, a partir do presente, com vistas no futuro, a preservação do passado.

Há algum tempo nossa cidade não possui um jornal. Último, na versão impressa, O Agora, encerrou suas atividades. Restou, no modelo virtual, o Sul-RS, iniciativa do jornalista José Henrique de la Rocha. O jornal Agora, fundado em 1975 pelo inesquecível empreendedor e empresário Germano Toralles Leite, publicou sua última edição no dia dez de março de dois mil e vinte. Sinal dos tempos! Rio Grande, cidade que abrigou no século XIX mais de trinta periódicos, em pleno século XXI possui apenas um. As publicações sobre as quais nos referimos eram dos mais variados estilos e diferentes periodicidades. Diários, hebdomadários, quinzenários, mensários e alguns com eventuais edições, contendo matérias diversificadas, como notícias, anúncios comerciais e industriais, comunicações festivas e fúnebres, literatura, posicionamentos políticos, religiosos, doutrinários, caricatos, enfim, um universo notável de periódicos, dentre os quais podemos destacar: O Noticiador, um dos mais antigos da Província do Rio Grande do Sul, cujo editor foi Francisco Xavier Ferreira, o “Chico da Botica”, O Observador, O Corisco, O Cruzeiro do Sul, O Diabrete, O Lusitano, A Evolução, A Razão, O Lábaro, para citar alguns, apontados na pesquisa do eminente professor e historiador de nossa Universidade, Francisco das Neves Alves, estudioso da imprensa rio-grandense, publicada em sua obra “Uma Introdução à História da Imprensa Rio-grandina” (Ed. FURG, 1995)

De repente, uma notícia alvissareira! Nossa cidade voltará a ter um jornal, agora virtual, denominado “Rio Grande”, tendo como editor chefe o jornalista José Henrique de la Rocha, filho de Daoiz de la Rocha, diretor do antigo jornal Rio Grande, fundado em primeiro de dezembro de mil novecentos e treze. Sucedendo os primeiros proprietários, Daoiz conseguiu mantê-lo circulando, com grandes dificuldades, até mil novecentos e noventa e três, constituindo-se numa das publicações jornalísticas mais longevas da história da cidade. O antigo jornal Rio Grande teve como seus contemporâneos, O Echo do Sul, até mil novecentos e trinta e quatro, e O Tempo, de mil novecentos e seis a mil novecentos e sessenta.

Todos os nossos jornais impressos, devido as dificuldades de suas épocas, as mais diversas, saíram de circulação. Mas a veia vocacionada de jornalista de José Henrique de la Rocha, numa atitude intrépida e louvável, faz ressurgir O RIO GRANDE, em versão virtual, a possível neste momento. Será diário e preencherá uma lacuna inaceitável nesta terra dos jornais e de inesquecíveis jornalistas consagrados pela nossa história.

Que o nosso incansável e competente “Ique”, como é conhecido no mundo jornalístico, junto com sua família, consiga levar adiante a ambiciosa decisão e tenha sucesso. Que O RIO GRANDE, de Daoiz de la Rocha, de Hugo Dantas da Silveira, de Jorge Luiz Susini, de Gilberto Marcos Centeno Cardoso e de tantos outros intelectuais colaboradores, venha para ficar e, para que isso aconteça, deve contar com o apoio de todos nós.

Seja bem-vindo, novo/velho RIO GRANDE!!!

 

Péricles A. F. Gonçalves é professor de Direito da Furg e membro da Academia Rio-Grandina de Letras