Jornal Rio grande

Na era digital

  • Ique de la Rocha (ique@jornalriogrande.com)
  • 31/10/20 as 18:28

 

Posso afirmar que me criei dentro de um jornal. Desde pequeno frequentava as dependências do Rio Grande. Quando criança o jornal ficava na rua Riachuelo. Na passagem da minha fase infantil para a adolescência, mudou-se para a rua Marechal Floriano. Naquela época, ao invés de prestar atenção em aula, no colégio primário, desenhava jornaizinhos a caneta, o que fez a direção da escola chamar meus pais. Mesmo levando uma bronca, eles viram que eu tinha queda para o negócio e fui para o jornal “trabalhar”. Bem assim, com aspas, porque sendo filho do dono a minha função não seria das mais estafantes. Iniciei cuidando da expedição do jornal, diariamente, para os assinantes de fora da cidade. Eram cerca de 200 jornais. Eu tinha de selar e levar para o Correio, que ficava naquele enorme prédio frente à Catedral de São Pedro, hoje fechado e que poderia ser muito útil para a comunidade, principalmente se ali fosse instalada uma casa de cultura.

Meu pai tinha muitos planos para o jornal. Além do prédio próprio, adquiriu uma impressora rotativa que foi do Jornal do Comércio, de Porto Alegre.  Rodava de uma só vez 10 mil exemplares por hora com 32 páginas no formato da ZH, para ficar mais fácil de entender. Era muita coisa para qualquer cidade do interior, mas a partir dali as coisas foram dando errado. Inicialmente, para a impressora funcionar necessitava de compositoras linotipo. Custavam caro. Uma usada era o preço de um bom carro zero quilômetro na época. O pai comprou uma a muito custo e o cara que vendeu nunca entregou. Sumiu. Depois comprou outra, só que na hora do transporte deixaram aquela geringonça com cerca de cinco mil peças de puro ferro, pesando várias toneladas, cair no meio da rua. Espatifou-se e só serviu para sucata. Outros problemas se sucederam e o jornal acabou fechando em 1993, após longa agonia.

Em vários anos de jornal, me acostumei com o cheiro da tinta. Adoro o jornal de papel, fazer uma diagramação, que é o desenho da página. Tanto que estava fazendo um jornal mensal, de nome Sul RS, que já tinha um público fiel. Eram três mil jornais em papel e ainda enviava a edição em PDF para cerca de cinco mil e-mails. Até que, durante a pandemia do Covid, me rendi à internet, daí a iniciativa de fazer este jornal on line. Com a mesma linha editorial do velho Rio Grande, sempre pronto a defender esta terra, mas com o uso da tecnologia, que está aí para ser utilizada.

Espero que gostem do que está sendo apresentado. Ainda estamos na fase inicial, vendo o que tem de melhorar, sendo que nosso objetivo, a curto prazo, é qualificar ainda mais a informação.

Sou muito grato a todos que estão me apoiando desde o início, aos nossos articulistas e um agradecimento especial ao meu filho Rodrigo, meu maior incentivador e que foi incansável para tornar este projeto realidade.