Jornal Rio grande

Reinventando o Natal

  • Elis Radmann
  • 22/12/20 as 9:37

 

Pandemia e Natal não combinam. 

O Natal tem vários significados para a população. Para muitos, é o momento de comemorar a vida, pois é o dia de comemorar o aniversário de Jesus Cristo, data com muitos significados e fé para o Cristianismo. Para outros tantos, o Natal traz consigo tradição, a magia de infância e a beleza das decorações e da ceia. 

Natal é o momento de renovar as esperanças, de ter compaixão, de perdoar, de incentivar as crianças a esperarem o Papai Noel e acreditarem nos seus sonhos. 

Também é o momento do décimo terceiro, das compras, da ampliação das vendas. É o momento do consumismo, e inevitavelmente, sempre acabamos comprando mais do que precisamos.

Para todos, o Natal é o momento de reunião familiar, de confraternização, de compartilhar a refeição, com muitos abraços e beijos, com muita aglomeração. Aquele momento que a maioria para e se encontra.

Mas aglomeração não combina com a pandemia e por isso teremos que reinventar o Natal. Teremos que encontrar outras formas de manter viva a magia do Natal, de fazer o amor se mostrar na sua essência, da forma mais singela até a mais sublime.

Por mais triste que seja a restrição ou limitação dos encontros familiares, é uma ação necessária para a segurança das pessoas que tanto amamos. Passamos o ano: reaprendendo, nos reinventando e teremos que reinventar o Natal, comemorar em pequenos grupos e evitar aglomerações e a ampliação da infecção.

A tecnologia estará ao nosso lado, diminuindo às distâncias, a saudade e o sentimento de solidão. Podemos usar a tecnologia de várias formas, até para fazer o amigo secreto virtual, mandar mensagens anônimas (zoando um parente) e enviar o presente pela internet.

Também podemos marcar um chimarrão virtual e bater aquele papo, cada um com a sua cuia e sem risco de haver confusão na roda. Ou podemos mandar um vídeo, mostrando como a casa está enfeitada, como estão as flores do jardim, como o pet da casa está sapeca ou qual foi o aprendizado de 2020.

O ano foi diferente, o final de ano também o será! Temos que enfrentar o final do ano com muita resiliência e resignação e tirar o melhor aprendizado de tudo isso. 

Por mais que o ano tenha sido difícil, aprendemos muitas coisas. Talvez seja o momento de parar e responder as perguntas que dizem respeito aos ensinamentos que estão sendo deixados pela pandemia. Tente responder para si mesmo...

1) O que aprendi com o ano de 2020?

2) Quais foram as experiências positivas e quais foram as negativas?

3) O quanto esse aprendizado pode ser útil para me ajudar a enfrentar o fim da pandemia?

4)  E quanto esse aprendizado pode ser útil para me relacionar de forma mais empática com a minha família e com os meus amigos?

5) Quantas vezes eu paro para agradecer a vida e as pessoas que amo e quantas vezes digo isso a elas?

Nas pesquisas de opinião que o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião têm realizado temos questionado os gaúchos como as pessoas irão evoluir com essa pandemia. É muito interessante verificar que cada um individualmente acredita que está melhorando, que está evoluindo, que está aprendendo com tudo isso. Mas coletivamente, não coloca muita fé na melhoria da sociedade.

Se cada um fizer a sua parte e trouxer os melhores ensinamentos desse novo contexto, o resultado desse movimento será muito bom para todos e o sentimento do Natal poderá se fazer presente em vários momentos do próximo ano. Uma boa reflexão e feliz Natal!

 

Elis Radmann é cientista social e política pela UFPel e fundadora do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião