Jornal Rio grande

Para a maioria das revendas venda de carros teve queda em dezembro

  • Matheus Magalhães da Silva
  • 24/12/20 as 0:37

 

Um setor comercial que parece não parar de crescer na cidade é o de revenda de veículos novos e seminovos. Mesmo com a pandemia, uma visita à avenida Presidente Vargas e a sequência da avenida Santos Dumont oferece uma miríade de lojas, algumas dedicadas a veículos seminovos de baixo custo, outras oferecendo importados e nacionais de alto custo. Dada a quantidade, se trata de um segmento econômico importante. Como eles enfrentaram a pandemia? Como está o final de ano? O que esperam para 2021? Nossa reportagem falou com proprietários para indagar estas e outras questões.

 

Inesperado aumento no fim de ano

Ildemar Sampaio Ramson, da revenda New Car, aponta que o melhor período para a revenda neste ano foi o de setembro e outubro. “Teve uma queda grande no início do ano e melhorou depois. Setembro e outubro foram muito bons para mim”, salienta. Entretanto, ele aponta que o fim de ano não está sendo muito positivo, com queda relativa em relação aos meses anteriores. “Para mim está ruim em dezembro, paradinho”. Entretanto, mesmo com esta queda, Ramson ressalta que este dezembro está sendo melhor para os negócios que no ano passado. Ele não faz um bom prognóstico para 2021 e considera que a perspectiva é de piora: “Eu acho que o povo está se endividando e vai ser um ano horrível”, complementa, pessimista.

“O melhor período já foi o fim ano, mas há alguns anos vêm sendo a época de janeiro e fevereiro”, revela Eduardo Monteiro, proprietário da Eduardo Car. Segundo ele, este mês apresentou uma queda bastante significativa. Monteiro arrisca uma explicação para tal discrepância: “em dezembro, por causa das festas, o pessoal puxa o freio de mão, pensa em viajar”. Porém, a boa notícia para ele veio um mês antes. “Novembro melhorou sensivelmente em relação ao ano passado. Não sei dizer o motivo”. Há também o fator do décimo terceiro salário, que pode explicar a melhora: “o décimo terceiro influi muito, sem sombra de dúvidas, as pessoas se animam mais”.

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Eduardo Car teve boas vendas em novembro

Durante o ano, o proprietário enfrentou, assim como em todos os segmentos, os danos causados pela paralisação no comércio. “Caiu mais de 50%” o movimento”, revela, elaborando que a causa principal foi um período em que a loja permaneceu fechada por cerca de quatro meses, apenas operando para atividades internas e sem poder chamar o público para olhar os veículos à venda.

 

Internet e plataformas digitais como aliadas

“Na pandemia o que me defendeu foi a internet”. Assim define Pierry Oliveira, proprietário da Portal Multimarcas. Ele ressalta que as plataformas digitais foram extremamente importantes durante o período em que a loja teve de permanecer fechada, representando de 80% a 90% dos rendimentos. Essas plataformas vão desde sites dedicados à venda online de veículos, como OLX e Webmotors, até redes sociais e, mesmo, um aplicativo oficial da revenda. “Do ano passado para cá, teve aumento de 40% na média anual”, conta.

Oliveira conta que o período de alta nas vendas vai de setembro até janeiro. Ele afirma que este fim de ano está atipicamente positivo para a empresa: em números absolutos é superior até mesmo ao ano passado antes da pandemia. “O décimo terceiro influencia bastante, e uma coisa que eu notei esse ano é muita gente comprando com dinheiro. As pessoas pagam [em dinheiro por] uma parte maior ou às vezes o carro inteiro”, revela.

Outro ponto é em relação à procura por semi-novos. Como a revenda trabalha com novos e usados, Oliveira indica: “está faltando matéria-prima para a fabricação de carros novos. Muitos segmentos, como a produção de aço e plástico, começaram a faltar. Então as pessoas, sem opção pelos carros zero, migraram para o seminovo”. O proprietário conta que está com dificuldade de conseguir carros seminovos para aplacar o pico de demanda.

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Pierry Oliveira, da Portal Multimarcas que, com a pandemia, teve de apostar na internet para a divulgação dos negócios

Ainda que sejam comuns as promoções neste período, a Portal Multimarcas considera que o período não é o mais apropriado. “Nesta época vende ao natural, então não há necessidade”. Ele conta que prefere dar brindes e fazer promoções dirigidas a especificidade de clientes mais antigos e frequentes da casa do que grandes promoções gerais. “Nós fazemos grandes promoções. Demos TVs no meio do ano, três tanques cheios. Preferimos deixar as promoções para meses fracos”, considera.

Há esperança para um ano melhor? “Acredito que a coisa melhora, mas acho que para acabar com a questão da máscara e outros cuidados, vai mais um ano, mesmo com a vacina”, opina. O proprietário, que já foi infectado pela covid-19, relembra o período mais crítico da pandemia com consternação: “Portas fechadas de maio a junho, não dá para esquecer”. Mas ele termina numa nota positiva: “de setembro para cá as coisas mudaram para melhor, estão voltando ao normal. Olhando no centro da cidade têm um monte de gente comprando e a vacina deve relaxar as pessoas ainda mais”, reflete.

 

Financiamento ficou mais difícil

Valdir Gonçalves de Souza, muito conhecido no segmento de automóveis pelo apelido Didi, da Gugou Veículos, considera que o final do ano é o melhor período para as vendas. Informa que a procura realmente existe em sua revenda da Santos Dumont, 479, mas surgiu um novo obstáculo. É que as financeiras estão avaliando o score de crédito dos consumidores e isso está dificultando a concessão do financiamento.

Score é uma pontuação que indica a probabilidade de um consumidor pagar suas contas em dia. Essa métrica é utilizada por órgãos de proteção ao crédito que auxiliam as instituições financeiras a traçarem o perfil de risco de um determinado cliente para oferecerem as oportunidades de crédito mais adequadas. No Brasil, as principais empresas autorizadas pelo Banco Central a fazerem essa análise de dados são Serasa Experian, SPC e outras.

Em termos práticos, o score é como se fosse uma nota ou um “currículo” da vida financeira. Quanto maior for o score, maiores são as chances da pessoa honrar seus compromissos financeiros. E, quanto menor ele for, maior será a probabilidade de inadimplência. Se o score estiver baixo, isso não quer dizer que a pessoa seja caloteira ou algo desse tipo, mas a empresa pode vê-la como um devedor de maior risco e lhe impor juros mais altos.

Didi confirma que o mercado de automóveis apresenta uma reação, mas está esbarrando nessa nova exigência. “Hoje [quarta-feira, 23, dia da entrevista] enviamos para o banco oito fichas para o financiamento e só duas foram aprovadas”, lamenta.

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