Jornal Rio grande

Diretor da CEAT desabafa: "Dá impressão que a população não importa"

  • Ique de la Rocha
  • 24/12/20 as 11:27

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CEAT. Imagem: Google Street View

Nesta quarta-feira, 23, a Clínica Especializada em Acidentes do Trabalho (CEAT), que há 52 anos atua no município com atendimento traumatológico e desde 1974 com fisioterapia, divulgou uma nota informando que a partir dessa data não estão sendo mais prestados esses serviços pelo Sistema Único de Saúde. Cabe salientar que 90% dos pacientes da CEAT são do SUS. Atualmente a clínica atendia, por dia, 50 pessoas no ambulatório de traumatologia e 400 na fisioterapia, sendo que em fevereiro deste ano chegaram a ser atendidas 800 pessoas somente em em um dia na fisioterapia.

A Prefeitura do Rio Grande está implantando a gestão plena da saúde, que vai gerar mais recursos para o setor, além de as decisões estarem aqui, mais próximas da população. O diretor da CEAT, médico Alexandre Faria, concorda com a municipalização e disse que no dia 4 a secretária estadual da Saúde, Arita Bergmann, oficializou a transferência ao Município dos serviços de traumatologia ambulatorial e fisioterapia. Só que ele e o secretário de município da Saúde, Maicon Lemos, não se acertaram, porque o titular da SMS queria que a CEAT ficasse apenas com a fisioterapia, enquanto a clínica somente aceita o atendimento pelo SUS dos dois serviços: a fisioterapia junto com a traumatologia.

Segundo Faria houve uma reunião entre ele e o secretário, dia 18. Ficaram de conversar novamente, mas ontem a SMS comunicou que, a partir daquela data, a Prefeitura não paga mais nada de produção para a CEAT. Agora o atendimento de traumatologia e fisioterapia pelo SUS no município será feito no pronto socorro da Santa Casa, Hospital Universitário e UPA da Junção e a SMS, conforme ele, estaria recomendando aos pacientes esperarem três semanas para iniciar o atendimento.

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Alexandre Faria, Diretor da CEAT

 

“O problema é que não tem ninguém que atenda na cidade”

“A questão não é a CEAT não poder mais atender o SUS. Nós não somos insubstituíveis e estamos atendendo convênios e particulares. O problema é que não tem ninguém que atenda na cidade”, lamenta o diretor da CEAT. “A atitude do secretário foi de total amadorismo e ele está longe de ser amador, mas acho que não se deu conta da consequência de seu ato”.

Faria prosseguiu: “Acho que eles não tinham plano B e agora tem de mandar os pacientes para a UPA, HU ou Santa Casa, Imagina o pronto socorro cheio de gente com Covid-19. A UPA da Junção não tem traumatologista, nem gessista para o traumato colocar o gesso. Não tem nem serra para tirar o gesso, nem como atender casos menos graves como torção no tornozelo. Até mesmo se alguém cair da bicicleta e quebrar o punho vai ser complicado o atendimento. Hoje (quarta, dia 23) tivemos cerca de 350, pacientes marcados, que não foram atendidos, fora os que nos procuram por lesão e também ficaram sem atendimento”.

Contrato emergencial

Devido ao impasse, a direção da CEAT também procurou a futura secretária da Saúde do município, Zelionara Branco. Mesmo assim, só depois do dia 4 de janeiro é que o novo governo do município poderá tomar alguma decisão. “O que eu lamento é que quem tinha a caneta até o dia 31 de dezembro não resolveu. O erro maior ainda foi tirar um, sem ter ninguém para botar”.

Alexandre Faria ainda diz que “o prefeito Alexandre Lindenmeyer poderia ter evitado esse transtorno se assinasse um contrato emergencial para a CEAT continuar prestando os serviços por, pelo menos, dois ou três meses. Isso daria tempo para o Executivo achar uma solução para o impasse, mesmo que fosse com uma outra empresa. Ao menos não deixaria os pacientes sem tratamento e a cidade sem esses importantes serviços, mas não deram atenção ao nosso pedido. Dá impressão que a população não importa”.

Nossa reportagem tentou ouvir o secretário Maicon Lemos, responsável pela pasta da saúde no município, mas, até o momento desta publicação, não fomos atendidos.

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