Jornal Rio grande

Cassino: A situação do setor imobiliário neste veraneio

  • Ique de la Rocha
  • 24/12/20 as 15:43

n/d

Foto: PMRG

Nesta época do ano o mercado imobiliário do Cassino costuma estar em efervescência. Com bastante antecedência da temporada de veraneio já começa a procura por imóveis para compra e locação. Este ano, no entanto, é bastante atípico, em virtude da pandemia.

O corretor de imóveis Malte Carvalho diz que a temporada, para o setor, “começou em outubro com muita procura e negócios. Com o recrudescimento da pandemia morreu (o movimento) e piorou ainda mais com a bandeira preta. Vai acontecer que as pessoas vão se encorajando e vão vir na hora. Não vai ter reservas. Aqui estamos nos preparando para isso: atender na hora, sem reserva e vai ter casa para alugar”. 

Carvalho informa que “os preços são basicamente iguais aos da temporada passada e até um pouco menos, justamente pela dificuldades das pessoas virem”. Sobre sua expectativa para o veraneio 2021, ele responde: “Se der uns 75% do ano passado está muito bom, mas acho difícil chegar a 50%”.

Sobre as vendas de imóveis no balneário, Malte Carvalho avalia que “não está ruim. Também não é maravilhoso, mas se vende. Existe um fluxo natural de pessoas que vem morar no Cassino e, com a pandemia, isso acelerou. Há pouco aconteceu o lançamento de um loteamento e venderam quase tudo”.

 

Casas com piscina para o fim de ano

“Antes eu achava que teríamos um verão movimentado, por estar todo mundo esgotado de ficar trancado em casa, no mesmo ambiente. Que as pessoas viriam para o Cassino mudar os ares, mas não sei se vai acontecer isso”. A declaração é do corretor Paulo Leite que, com a evolução da epidemia, não se mostra mais tão otimista com relação à temporada de veraneio no balneário.

Para as festas de fim de ano houve procura por locação de imóveis no Cassino, mas menor que em anos anteriores. “A procura foi diretamente por casas com piscina para esse período de Natal e fim de ano. Eu tinha dez casas com piscina disponíveis e aluguei as dez”. As locações foram para pessoas de fora do Rio Grande que têm parentes aqui, a maior parte de municípios próximos. “Uma casa boa com 3 quartos, piscina e ar condicionado é fácil de alugar”, informa o corretor. Segundo ele, o aluguel de um imóvel nesse padrão é em torno de R$ 15 mil por mês, o que dá uma diária de R$ 500. “Se a diária de um hotel está por volta de 300, 350 reais, uma casa para uma família com seis ou sete pessoas está boa”, justifica.

Indagado sobre a preferência por casas com piscina, Paulo Leite acredita que deva ter relação com a pandemia: “Como estamos nessa função da "praia fecha, não fecha", e o risco de aglomeração, penso que uma família com idoso, ou mesmo sem idoso, com ar condicionado e piscina não precisa de mais nada”.

Com relação à expectativa para a temporada de veraneio, Leite considera “uma incógnita. Na primeira quinzena de janeiro teremos o perfil de como vai ser o verão, mas penso que poderemos ter um verão bem diferenciado, fraco. Em outras épocas, já no mês de dezembro tínhamos mais procura, inclusive interessados com bastante antecedência em reservar um imóvel para o carnaval e agora não. Pode ser um verão muito fraco ou um verão muito bom. Confesso que não sei o que vai acontecer, por causa da pandemia. Por incrível que pareça, até as eleições estava uma calmaria, depois a coisa explodiu. Os hospitais estão cheios de gente morrendo, amigos pegaram o vírus. Mudou o cenário e não apenas aqui, mas no Brasil e no mundo”.

 

Melhor que ano passado

O corretor de imóveis Marcos Otero diz que as casas para o Natal no Cassino foram todas alugadas e a procura por locações para a temporada de veraneio “está forte e poderemos ter até mais procura que ano passado. As pessoas estão vindo de outras cidades e, apesar de vários atendimentos pelas redes sociais, constatamos que aumentou a presença dos interessados diretamente na imobiliária, devido aos golpes que aplicavam na internet, e ainda aplicam, através do Facebook, de alugarem imóveis e, quando vinham, era golpe. Agora as pessoas estão mais antenadas e preferem vir pessoalmente para não correr esse tipo de risco”. Ele informa que “a procura por imóveis com piscina é cada vez maior. Muito desse interesse se deve à pandemia. As pessoas querem ficar mais em casa, no conforto”.

Salienta o empresário que em sua empresa estão disponíveis 84 imóveis para locação, sendo três para contratos anuais. Para o veraneio, os imóveis de 1 e 2 dormitórios custam entre R$ 180 e R$ 250 a diária; de 3 e 4 dormitórios, entre R$ 300 e R$ 600 a diária. As casas com piscina custam entre R$ 360 e R$ 1 mil a diária, sendo que a média é de R$ 500, com 3 dormitórios.

Otero acredita que a temporada 2021 será superior à do ano passado, “porque as pessoas não estão viajando para longe e o Cassino é uma praia acessível para todo mundo. Vai ter mais movimento e precisaremos nos atentar para evitar aglomerações na praia. Através da associação de bairros vamos cobrar do policiamento o monitoramento para cumprimento do distanciamento. É a maneira para que não tenhamos de fechar a praia, que tem uma função social muito importante. Ela permite a prática do esporte, momentos de lazer e será uma ótima alternativa para as pessoas saírem do enclausuramento. Mas será preciso que, especialmente os jovens,  respeitem as regras de distanciamento”.  

n/d

Marcos Otero. Facebook.

Com relação às vendas de imóveis no Cassino, Otero também diz que “o mercado está bombando. Com a questão da pandemia, imóvel é o melhor investimento do momento. Já vendi imóveis para gente que tirou recurso da bolsa de valores, que hoje está com rendimento baixo. Este é outro fenômeno causado pela Covid. Devido ao medo da morte, sonhos que estavam postergados para daqui a três ou cinco anos, as pessoas estão querendo realizar agora e a aquisição de uma casa melhor, mais ampla está sendo prioridade. E o financiamento nunca esteve tão barato com juros de 6% ao ano”.