Jornal Rio grande

Metalúrgicos lutam para manter condições de trabalho

  • Ique de la Rocha
  • 29/12/20 as 17:30

 

“Estamos vivendo a banalização do emprego. Temos dificuldades em garantir o pouco de direitos que ainda existe e, daqui a pouco, vai ter gente trabalhando de chinelo de dedo”.  A declaração é de Sadi Machado, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio Grande e São José do Norte (STIMMMERG).

Segundo ele, os salários no estaleiro EBR, que encontra-se em atividade em São José do Norte, baixaram em torno de 10%, em relação ao que era pago anteriormente. E o que o sindicalista mais reclama é que “a relação empregado-patrão está muito desleal”, referindo-se aos direitos que foram retirados na reforma trabalhista, além de ter enfraquecido a atuação dos sindicatos.  

Ação judicial beneficia trabalhadores

O STIMMMERG vinha enfrentando um impasse com relação ao EBR: “Apesar de ter contratos que garantem suas atividades por dois ou três anos, o estaleiro  vinha admitindo os trabalhadores por prazo determinado, ou seja, de apenas um ano, o que tirava direitos trabalhistas no final do contrato. O cara trabalhava um ano e saía somente com o dinheiro que estava depositado e o salariozinho dele”, protestava Sadi Machado.

O sindicato entrou com uma ação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que manifestou-se este mês em defesa dos trabalhadores e proibiu este tipo de contrato. O vice-presidente do STIMMMERG informa que, a partir de agora, “contrato por prazo determinado só existe para os trabalhadores que tem ele em vigor, mas as próximas contratações terão de ser com prazo indeterminado. Assim, no momento da demissão, nosso pessoal também terá direito ao pagamento de 40% da multa, ao aviso prévio e ao seguro-desemprego”..

 “Não valorizam nossa luta”

O vice-presidente do STIMMMERG  lamenta: “O trabalhador está aceitando isso de cabeça baixa, porque não tem emprego. Nunca o seguro desemprego teve tanta procura, desde que foi criado. E o trabalhador não quer se sindicalizar. Não valoriza a nossa luta”.

Machado considera fundamental a maior participação dos trabalhadores para fortalecimento do sindicato e da categoria, como aconteceu no início do Polo Naval: “Nosso sindicato tem uma história, um nome, mas não basta só fazer a inspeção do trabalho. Precisamos ter o trabalhador na rua, porque só assim seremos respeitados em nossos direitos”, concluiu.

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Sadi Machado, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos