Jornal Rio grande

Alexandre Lindenmeyer se despede em coletiva e diz que sua prioridade foi a Educação

  • Matheus Magalhães da Silva
  • 29/12/20 as 22:57

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Foto: PMRG

Em clima descontraído, o prefeito Alexandre Lindenmeyer concedeu uma entrevista coletiva à imprensa e, no início, fez uma prestação de contas e sua gestão, já disponível no site oficial da Prefeitura do Rio Grande. Ele salientou a questão da infraestrutura, o DATC, o Rio Grande Com Vida, assistência social e os crescimentos em indicadores na área da educação e investimentos na área da saúde. O prefeito também ressaltou que, mesmo no período de pandemia, Rio Grande se destacou no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) como uma das cidades com menos registro de desempregos no Estado. Ele enfatizou, ainda, que o município foi o quarto destino mais procurado por turistas no Rio Grande do Sul. Além disso, informou que mais de 100 ruas foram pavimentadas em seus dois mandatos, além de dar ênfase à implantação de 30km ciclovias. Por fim, garantiu que R$ 106 milhões seria o saldo que a Prefeitura deixa para os cofres da nova gestão.

Lindenmeyer revelou que sua prioridade central foi a educação. Segundo ele, o aumento nos indicadores da educação básica e para jovens e adultos é o motivo maior de orgulho para sua gestão. "Houve um olhar para as crianças e adolescentes com deficiência, onde nós extrapolamos de pouco mais de 163 para mais de 1700 pessoas incluídas na nossa rede escolar”, releva. 

“Infelizmente, nós não conseguimos contagiar os corações e mentes de muitas pessoas com a pauta da solidariedade”

Na sequência, o gestor municipal foi questionado acerca da questão da pandemia. “Nós temos que enxergar a nossa cidade como portuária e, se fizermos um  levantamento de todas as cidades portuárias em termos de análise per capita, Rio Grande, independente de termos perdidos muitas vidas, teve uma incidência menor de óbitos”, ressaltou.

Ele atesta que a Prefeitura conseguiu ter certo controle, mas aquém da expectativa exposta no início da pandemia. Entretanto, afirma que já houve reuniões com a equipe do novo governo para instruir sobre o modelo adotado pela cidade e no cumprimento dos decretos como esforço para diminuir a propagação.

Alexandre foi questionado acerca da impossibilidade de realização da licitação do transporte coletivo público. “Lá atrás, quando anulamos a licitação de 2012, se deu por posicionamentos do próprio Ministério Público e do Tribunal de Contas e embasamento da Procuradoria Jurídica do Município que nos apontava a necessidade de nulidade do processo anterior”. Ele confessa que houve equívocos, mas entende que outros vetores influenciaram na dificuldade em mover este processo tão esperado pela comunidade: “tivemos duas licitações no primeiro mandato que foram objeto de questionamentos e tivemos de interromper, por questões formais do processo. Depois, tivemos duas outras licitações que foram desertas e uma última onde houve empresa participante que cumpriu todo protocolo, mas houve questionamento do Tribunal de Contas quanto à sua validade ou não”. Entretanto, ele pontua que algumas coisas mudaram no panorama do transporte urbano, como o surgimento dos aplicativos e observou que o número de passageiros caiu para 21 mil ao dia, o que impacta no custo das tarifas do transporte.

A seguir, o chefe do Executivo Municipal falou sobre a questão das empresas terceirizadas contratadas pela Prefeitura. Em relação às acusações sobre falta de pagamento, ele explica que o que foi contratado foi cumprido. “Eu fiz a escolha de ser o único município que manteve o trabalho das terceirizadas no mesmo patamar de contratos antes da pandemia”, ressalta o prefeito, alegando também que os demais municípios da região decidiram enxugar e demitir. Segundo ele, todos os contratos serão pagos e diz que o prazo contratual está previsto e não vigora em atraso: “tudo que está empenhado vai ser pago”.

Sobre a questão dos empréstimos contraídos pela atual gestão, o prefeito falou que todos os valores foram captados através de políticas que surgiram junto ao Governo Federal, via Caixa Econômica Federal, como resultado de linhas de crédito oferecidas para investimento de melhorias na infraestrutura nas cidades. “Dentre os municípios da região Sudeste e Sul, Rio Grande se colocava entre as 70 cidades que tinham capacidade de crédito porque tem baixo endividamento e pagou em dólar contratos de governos anteriores”, explicou. Ao mesmo tempo, falou que há dívidas remanescentes destas gestões prévias. “Os empréstimos feitos equivalem a 3% do orçamento anual”, revelou o prefeito. Ele questiona se não seria importante buscar estes créditos para melhorar a vida da comunidade:  “Em termos do direito de ir e vir com uma rua pavimentada, de ter uma via com drenagem, de ter uma praça para seu lazer, de ter equipamentos ou mesmo ciclovias, não vale a pena?”.

 

“Não tenho a pretensão de disputar 2022”

Quando perguntado se continuará na vida pública e representar a cidade no legislativo, Alexandre Lindenmeyer ressaltou que considera sua verdadeira profissão a advocacia, mas lembrou que já está há 12 anos na vida pública. Apesar de sua gratidão pela confiança depositada pela comunidade de Rio Grande, ele pontua que houve grande exposição de sua família, que considera seu maior patrimônio. “Eu confesso que no final estava cansado, com dificuldade de concatenar as ideias e a conjuntura é muito complexa. Temos de dar espaço para novas pessoas”.

 

“Se não tivesse a intervenção na Santa Casa, estaríamos falando em uma segunda Beneficência Portuguesa”

Nossa reportagem questionou o prefeito acerca da questão da Santa Casa do Rio Grande. A Prefeitura decretou, em 2015, estado de calamidade pública em função de dívidas e não-realização de pagamentos e realizou uma intervenção no hospital, quando assumiu uma nova direção. “Talvez tenhamos perdido um pouco a narrativa”, assume Lindenmeyer, elencando o que julga ter sido uma ação sistemática de ataques por opositores no ato da intervenção. Ele lembrou que a decisão da intervenção passou pelo diretor do Departamento de Assistência Hospitalar e Ambulatorial da Secretaria Estadual da Saúde (SES), Alexandre Britto, que considerou quebra de acordo por parte da Santa Casa: “numa reunião onde estava todo o secretariado de saúde da região e os deputados Troca e Fábio Branco, ele disse que iria retirar as referências da Santa Casa do Rio Grande”.

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Entrevista coletiva aconteceu de forma virtual, hoje à tarde

Lindenmeyer alega que, se a Prefeitura não tivesse assumido o controle do hospital que dava emprego a mais de 1500 trabalhadores, não seria possível o estabelecimento do contrato integral. “Como o hospital recebe por produção, com os os serviços parados, o Estado passou a repassar valores menores e não havia recursos”, ressalta. O mandatário revela, também, que, apesar de acordado, o Estado do Rio Grande do Sul, na época governado por José Ivo Sartori, pagou o valor integral apenas por três meses e, ainda, retirou incentivos, atrasando repasses para todos os hospitais filantrópicos.

“Tive que apanhar calado”, desabafou o prefeito, alegando que havia pessoas, no momento em que os repasses atrasavam, que faziam lives para angariar dinheiro e culpar a Prefeitura, o que ele entende como uma politização de algo complexo que envolvia estâncias superiores, fora do controle e desejo da esfera municipal. “Eu fiz (a intervenção) por uma questão objetiva diante da possibilidade de fechamento de um hospital com mais de 180 anos”, afirma. Para ele, o fato de a Santa Casa estar aberta hoje passa por sua decisão e garante que o hospital está próximo de conseguir ingressar no Pro SUS que é um programa de fortalecimento de entidades privadas filantrópicas, o que deve aliviar a questão das dívidas fiscais que a instituição ainda possui.

 

A questão da CEAT

Por fim, a situação de finalização de contrato da CEAT (Clínica Especializada em Acidentes do Trabalho) foi outra pergunta de nossa reportagem  Lindenmeyer gostaria que a clínica continuasse prestando serviços ao SUS, pois a considera patrimônio da comunidade. Mas explica que houve abertura de credenciamento de novas clínicas de fisioterapia da cidade, o que mudou certos protocolos. “No Povo Novo tem uma nova clínica que serve a comunidade local e seu entorno. É racional que se tenha a possibilidade de mais clínicas prestarem esse serviço”, afirma.

De acordo com Lindenmeyer,  se a clínica deseja participar e tem as credenciais necessárias, ela deve seguir prestando serviços:  “para isso, a CEAT tem de cumprir requisitos legais e formais, que são as certidões exigidas de todos que queiram participar de um processo envolvendo verba pública”. Lindenmeyer alega que tal processo se deve ao interesse de descentralizar os atendimentos na cidade, ressaltando que pessoas de bairros mais distantes do Centro precisavam fazer um longo percurso até chegar à clínica.

Há pouco mais de uma semana, o Rio Grande publicou uma entrevista exclusiva com o prefeito Alexandre Lindenmeyer. Ela pode ser conferida aqui.