Jornal Rio grande

Lojas fechadas mostram as dificuldades enfrentadas pelo comércio em 2020

  • Ique de la Rocha
  • 31/12/20 as 9:08

 

A economia do município começou um declínio quando o Polo Naval encerrou suas atividades. Depois veio a recessão brasileira, que já tornava difícil a vida de muitas empresas e agora, com a ameaça da Covid-19, muitas não suportaram e fecharam suas portas.

Na área comercial da cidade constata-se um expressivo número de lojas que encerraram as atividades. Em alguns pontos elas deram lugar a novos empreendimentos, mas boa parte dos imóveis ainda permanece fechado.

Quem passa pela rua Andradas, entre a Luiz Loréa e Silva Paes, pode constatar que pelo menos metade das lojas de uma das calçadas estava fechada. Algumas já com placas de “Aluga-se”, outras com cartaz informando a troca de endereço.

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Fotos: Ique de la Rocha

Em conversa com corretores de imóveis eles informaram que toda a área comercial da cidade foi afetada pela pandemia e que o panorama existente na rua Andradas é igual no mesmo trecho da Zalony. Na Luiz Loréa ou em outras ruas próximas a situação não muda muito.

 

“Tem muito imóvel vazio”

O corretor de imóveis Sinésio Cerqueira Neto, um dos mais experientes e conceituados da cidade, concorda: “Tem muito imóvel comercial vazio”. Para ele, “além da crise pelo fechamento do Polo Naval, com a pandemia e esse 'abre, fecha, fecha e abre' o pessoal começou a perder o emprego e o entusiasmo”.

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Sinésio Cerqueira Neto

Na opinião do corretor de imóveis “a maioria do pequeno comércio fechou. O Coronavírus veio encerrar uma crise, que já vinha assustando com o fim do Polo Naval”.

Sinésio também considera o problema da locação residencial no centro da cidade “gritante. Uma amiga está alugando seu apartamento só pelo valor do condomínio e não consegue, e tem mais gente fazendo isso”.

Voltando à área comercial da cidade, o corretor de imóveis entende que “o Calçadão é um caso excepcional e requer uma avaliação mais apurada. Lá, quando fecha uma loja, em seguida abre outra. Diziam que ele não iria sobreviver aos shopping centers, mas penso que irá sobreviver por, pelo menos, mais dez anos”.

Fato relevante

“Nosso comércio só irá se recuperar, mesmo, quando acontecer um fato relevante na economia", comenta ele, que também já foi presidente da Câmara do Comércio do Rio Grande. "Por enquanto, a movimentação no porto é expressiva, mas ele existe há mais de 100 anos e vai melhorar cada vez mais”, observa Sinésio Cerqueira Neto, que vê possibilidade até de o porto alardeado para Arroio do Sal não sair do papel: “Com a BR-116 quase duplicada, só falta acertarem a questão dos pedágios, que prejudica muito nosso porto. Quando tornarem mais justo o pedágio, e com as estradas duplicadas, vai ser um desestímulo ao porto que pretendem construir no litoral norte do estado”.

Para o corretor, o fato novo que pode impulsionar o movimento no comércio e acelerar a economia local, na fase pós-pandemia, poderá ser a retomada das atividades do Polo Naval.  

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