Jornal Rio grande

Pior que o vírus foi o comportamento de boa parte das pessoas

  • Ique de la Rocha
  • 01/01/21 as 15:36

O ano que chegou ao seu final foi marcado pela pandemia do Coronavírus, que fez milhões de vítimas em todo o mundo, entre mortos e sequelados, com enorme número de registros no Brasil e também em nossa cidade. Não penso que a pandemia tenha sido determinante para considerarmos 2020 um ano para esquecer. Acho que sua presença até poderia ter sido motivo para lembrarmos dela, daqui a alguns anos, de maneira não diria positiva, porque quando morre muita gente em virtude de uma doença é sempre uma situação triste, mas de maneira mais leve.

Digo isso, porque a pandemia também foi uma oportunidade para o ser humano demonstrar que evoluiu moralmente, que passou a se preocupar com o próximo. Poderíamos ter fechado o ano com a certeza de que nem tudo está perdido, porque a solidariedade entre as pessoas teria falado mais alto, com umas ajudando as outras, todo mundo se cuidando, colocando a vida acima de tudo. Certamente se isso tivesse acontecido, provavelmente teríamos chorado muito menos mortes e muito menos casos da Covid do que foi registrado. Também a economia teria produzido mais se todos tivessem respeitado o isolamento por 15 dias, um mês ou até mesmo um pouco mais. Estaria melhor do que abrindo uma semana e fechando na outra, como temos visto. Com a orientação da ciência e a obediência da sociedade, quem sabe a epidemia já teria recuado e, neste final de ano, da mesma forma que outros países fizeram, teríamos comemorado o Natal e o Ano Novo como nas ocasiões anteriores?

A pandemia foi, de fato, um estorvo na vida de todos nós, para dizer o mínimo. Foi uma tragédia. Mas tão grave ou até pior que o vírus foi o comportamento de boa parte das pessoas. No Brasil, então, nem se fala. Misturaram política (ou politicagem) com saúde, ciência com religião, muitos seguindo um lunático que não merece ser chamado de presidente e estamos nessa barafunda, como diriam os mais velhos.

No meu tempo de criança se costumava ler histórias em quadrinhos. Uma delas era “Os Jetsons”, que também tinha desenho animado. Era uma família que vivia no futuro e andavam em veículos voadores. Eu, e creio que muitas pessoas da minha geração, imaginava que no ano 2000 o mundo seria que nem o deles. Quando entramos no século 21, eu tinha 41 anos e, na época, dizia admirado: “Quem diria! Já estamos no ano 2000”. E não é que já se passaram 21 anos desde então?      

O mundo evoluiu muito nesses anos todos. A tecnologia, então, deu um salto gigantesco e as novidades se sucedem a todo momento. Mas, infelizmente, o ser humano continua primitivo, apegado ao seu egoísmo, ao se orgulho, à sua ganância e curvado perante o Deus do dinheiro. Jesus Cristo quando esteve aqui nos disse: “Amai ao próximo como a ti mesmo”. Acho que nem Ele imaginou que seria tão difícil a humanidade seguir essa orientação, tão simples e tão prazerosa para quem a pratica.

Felizmente, a pandemia mostrou que no mundo também existem, sim, milhões de pessoas que não se enquadram nesse comportamento que estamos criticando. Aqui mesmo em nossa cidade tem muita gente com uma postura mais solidária, sem falar nos profissionais da saúde que estão se arriscando e trabalham incansavelmente, sabe-se lá em que condições. Mas o que constatamos neste ano de 2020, apesar de toda a tecnologia, foi que o comportamento humano pouco evoluiu do tempo em que Cristo foi crucificado.

O ano que passou, de qualquer forma, vai ficar marcado na história e podemos sempre fazer do limão uma limonada. Nossas falhas também são um aprendizado. Se erramos, seja com relação à Covid ou a outra situação, não devemos ficar nos culpando e sim evitar de repetir os mesmos erros. Se procurarmos nos corrigir de verdade já estaremos pavimentando um caminho bem mais seguro e feliz para termos um cenário melhor em 2021.

Se com todas as dificuldades que surgiram, sobrevivemos, é porque temos força para “sacudir a poeira e dar a volta por cima”. A todos um Feliz Ano novo, com muita paz, saúde, solidariedade e prosperidade.