Jornal Rio grande

A Praça Júlio de Castilhos

  • Luiz Henrique Torres
  • 10/01/21 as 13:06

n/d

Foto da Praça Júlio de Castilhos, Relatório da Intendência Municipal do Rio Grande de 1925

A Praça Júlio de Castilhos já foi denominada de Praça do Largo da Quitanda, São Pedro de Alcântara, São Pedro e Largo do Teatro (em referência a localizar-se nas imediações do Teatro Sete de Setembro). Em documento da Câmara Municipal de 27 de março de 1824, o juiz almotacé propõe a abertura da “travessa da Alfândega (atual rua  Andradas) até o campo e fazer uma praça no fim das ruas do Pito (rua República do Líbano) e do Fogo (rua Luiz Loréa).” Outra referência sobre o surgimento da praça foi feita em 6 de outubro de 1827, quando a Câmara pede ao Comandante da Vila do Rio Grande de São Pedro para continuar a mandar prisioneiros para a terraplanagem da Praça São Pedro, onde acordaram fundar a Casa da Câmara e a Cadeia. Na planta da Vila do Rio Grande de São Pedro do ano de 1829 foi feita a seguinte referência: “A Praça S. Pedro criada pelo Meritíssimo Juiz de Fora, desta Vila, Agostinho Moreira Guerra, em 1828, que depois desta planta feita se soube”. Portanto, as primeiras iniciativas para o surgimento da Praça recuam a 1824 e a sua oficialização a 1828. A Praça também não tem relação com a Igreja Matriz de São Pedro ou com o Largo Dr. Pio.

         Conforme o Código de Posturas de 17 de dezembro de 1836, a Praça era um espaço para a venda de verduras, frutas e produtos oriundos das localidades vizinhas como o Povo Novo e que chegavam de carretas a cidade do Rio Grande. Esta prática começou a ser oficialmente questionada em 1855, pelos vereadores Eufrásio Lopes de Araújo e Miguel Tito Sá, os quais argumentam que “não convinha que aí estacionassem as carretas que vinham do Povo Novo pelo abuso de conservarem soltos os animais que as puxavam”. Além deste espaço para a uma espécie de Feira Livre a praça também teve a função essencial para o centro urbano ligado a coleta de água. A Câmara em sessão de 10 de julho de 1834 resolveu utilizar pedras e tijolos que haviam “sobrado dos poços do Moinho de Vento e manda construir um Poço na São Pedro”. Posteriormente, a Companhia Hidráulica que em 1874 importou da Inglaterra os chafarizes colocados nas praças da cidade construiu no lugar do poço uma coluna de ferro com torneiras laterais. No alto desta coluna de ferro ficava a Vênus no Banho, estátua que é a mais antiga da cidade em espaço público e que se encontra pelo menos desde a década de 1930 na Praça Tamandaré.

         A arborização da Praça recua a 1878 aí também funcionou o Circo de Cavalinhos (assim como no Largo Dr. Pio) e nas proximidades do Teatro Sete de Setembro existiu um Tambo onde se vendia leite diretamente a população. Nesta área um comerciante proprietário da loja de fazendas Ao Torrador, Pedro Lourenço de Oliveira, o Pedro Torrador, obteve a concessão para edificar aí um Mercado, concessão que foi anulada em 1890.

O nome de Praça Júlio de Castilhos foi dado pelo Decreto Municipal n. 16, de 15 de novembro de 1894, em homenagem da Intendência Municipal a Júlio Prates de Castilhos, chefe do Partido Republicano Rio-Grandense. O busto em bronze que foi edificado a mando da Intendência Municipal é obra do escultor Décio Vilares e o pedestal foi feito na Escola de Engenharia de Porto Alegre sendo originalmente colocado na Praça Marques do Herval em 21 de abril de 1918. Em 1925, com a remodelação da Praça Júlio de Castilhos, o monumento foi para ela transferido. Na época ficou próximo a um dos grandes centros de fluxo urbano que era o Teatro Sete de Setembro (1832), onde poderia ser visto pelos populares.