Jornal Rio grande

As nossas calçadas. E mais um golpe na indústria naval

  • Ique de la Rocha
  • 11/01/21 as 10:34

E as nossas calçadas?

Rio Grande é uma cidade que, infelizmente, vem se deteriorando ao longo do tempo e o pior é que nossas autoridades nem tocam em determinados assuntos. Preferem se omitir do que enfrentar o problema. É o caso da péssima situação das nossas calçadas. Na área central, do canalete à Almirante Barroso, da Valporto à Riachuelo e Rincão da Cebola, não se encontra uma quadra, sequer, que não tenha calçadas em mau estado.

A situação vem de muito tempo. Não é de hoje, mas nenhum prefeito, ao menos nas últimas duas décadas, teve a coragem ou pulso para obrigar os proprietários de imóveis a fazerem os devidos reparos. Deveria haver um plano de incentivo a esses proprietários, descontos no IPTU ou coisas do tipo.

Por causa desse desleixo ou omissão, nossa cidade não tem como ficar bonita. Chegou a tal ponto que corremos o risco de nos acostumar e não notar mais o quanto esses passeios são desconfortáveis, feios e perigosos. Só quando vamos para qualquer outra cidade aqui da volta é que notamos a diferença.

O que seria um fato natural, básico em qualquer cidade, a conservação das calçadas, por aqui está próximo de se tornar uma situação quase inatingível.

Vamos torcer que o novo governo municipal tome alguma atitude a respeito. Enquanto isso não acontece cabe uma pergunta: em caso de alguém tropeçar e levar um tombo, por causa dos buracos ou do mau estado de nossas calçadas, de quem é a responsabilidade?    

A nova composição da Câmara

Nossa Câmara Municipal teve uma razoável renovação. Vamos torcer para que a nova composição do Legislativo seja mais ativa e não se omita com relação aos verdadeiros problemas da cidade. Tem muita coisa errada que pode ser consertada com um bom debate e vontade política.

O Legislativo é a Casa do Povo e tem a obrigação de não se omitir jamais. E quando fizer algum debate especial, como audiência pública, que sejam objetivas, com início, meio e fim. E com algum encaminhamento no final, porque o que vimos até hoje foi muito discurso e quase nenhuma ação.

Desejamos sucesso a todos os vereadores eleitos para o mandato 2020/2024. Que, de fato, consigam corresponder às expectativas do eleitorado.

Mais um golpe contra a indústria naval

O Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore – Sinaval, continua denunciando as ações do Governo Federal contrárias à indústria naval brasileira. Essas investidas iniciaram no Governo Temer e chama atenção que, no Governo Bolsonaro, que tanto fala em patriotismo, as ações são diferentes do discurso.

O descontentamento do Sinaval é com o Projeto de Lei 4199/2020, que trata do Programa “BR do Mar”, aprovado na Câmara dos Deputados. O sindicato dos estaleiros chegou a lançar uma nota, em dezembro, e vem tornando público sua insatisfação, pois nem sequer a realização de um debate proposto pelos empresários com os setores envolvidos foi realizado.

Cabe salientar que o desenvolvimento da indústria naval brasileira nos interessa diretamente, uma vez que esta é uma das vocações do município do Rio Grande e deveríamos estar lutando para a reativação de nossos estaleiros. Mas, ao contrário, ainda deve ter gente insistindo que os estaleiros não nos deram nada. Bom deve ser agora, com uma multidão desempregada, com gente voltando a catar lixo para comer, empresas fechadas ou quase, imóveis vazios e à venda, a redução na arrecadação do município, etc, etc...

A diretoria do Sinaval, que tem sede no Rio de Janeiro, salienta que “em todos os países onde a indústria naval é competitiva e gera milhares de empregos, este segmento industrial tem sua sustentação apoiada em três pilares: conteúdo local, demanda perene e linhas de financiamento atrativas.

Em 8 de dezembro, a Câmara dos Deputados, ao votar esse Projeto de Lei encaminhado pelo Governo em regime de urgência, acabou por derrubar os dois pilares que ainda restavam, porque o conteúdo local já havia sido derrubado anteriormente – acabou, na prática, com o FMM- Fundo da Marinha Mercante, reduzindo com isso a fonte de receita para financiamentos às obras navais, e autorizou o uso de seus recursos para outros objetivos completamente alheios à Indústria Naval e à Marinha Mercante”.

Mais empregos na Ásia e não aqui

Prossegue o Sinaval: “O que vimos nesse dia foi a criação de mais empregos nos países asiáticos, principalmente na China, porque, se esse Projeto de Lei for sancionado pelo Senhor Presidente da República com o texto aprovado na Câmara, dificilmente a Indústria Naval terá condições de retomada em curto prazo.
Os Parlamentares, em sua grande maioria, desconhecem o tema, por não ser assunto de seu  cotidiano, e foram induzidos a votar sem o necessário debate do Projeto, que certamente poderia esclarecer como a Indústria Naval e a Marinha Mercante funcionam, debate esse que o SINAVAL solicitou desde o início do processo de elaboração do Programa “BR do Mar” pelo Governo.

Compromissos assumidos pelas autoridades governamentais, tais como a retirada do regime de urgência e a exclusão, dos objetivos do Programa, dos navios petroleiros e gaseiros não foram, infelizmente, sequer cumpridos.

O SINAVAL vai agora buscar no Senado Federal a acolhida a suas demandas, não deixando de debatê-las com aquela Casa revisora, buscando o diálogo até que seja possível um amplo exame desse Projeto de Lei, até agora não favorecido pelo Governo.

Quem perde com a aprovação desse Projeto, da forma como foi aprovado na Câmara dos Deputados, não é só a Indústria Naval ou a Marinha Mercante brasileiras: é o Brasil”.