Jornal Rio grande

Redes sociais dos clubes - a "nova arquibancada"

  • Jorge Hohmann
  • 16/01/21 as 10:18

É o que revela o fechamento de dados compilados pelo IBOPE Recupom até final de dezembro de 2020. Agora, lugar de torcedor é nas redes sociais. Houve um crescimento de 16% na base digital dos clubes – o que significa 23,6 milhões de novos inscritos nas cinco plataformas pesquisadas: Facebook, Twitter, Instagram, YouTube e Tik Tok. A pesquisa destaca o volume acumulado, entre janeiro e novembro de 2020, de 22,2 milhões de novos inscritos nas redes sociais dos clubes de futebol no Brasil, o que já credencia 2020 como o melhor ano na captação de novos seguidores desde 2017, em toda a série histórica. O resultado até novembro já superava em 11% todo o resultado de 2019.

Segundo o levantamento, o TikTok é adotado por 44 dos 50 clubes monitorados no ranking  e foi responsável, até o momento, por 7,3 milhões das novas inscrições no ano, com participação de 33% do acumulado de 2020. Instagram (31%) e YouTube (29%) completam o pódio das redes sociais com maiores participações no crescimento. Até novembro, o Twitter registrou crescimento de 8% e o Facebook se manteve estável frente a 2019. É gente, não é? E haja saco para aguentar tantos anúncios. Lixe-se o visitante de cada página dessas plataformas. Elas faturam bilhões em cima de seus transtornados usuários que não conseguem terminar uma frase sem destilar ódio e ofensas. Mesmo que as redes sociais representem o baixo ventre da internet, foi através dela, com dados pesquisados mês a mês, tendo que deparar-se frequentemente com vários tipos de baixarias e chinelagens,  que os(as) pesquisadores(as) do Ibope trabalharam sobre o tema.                                      

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Se Olivio Dutra não tivesse dado um pontapé na bunda dos escravagistas da Ford, eles ainda teriam mais 5 anos mamando nas tetas gaúchas passando todo este tempo, até lá, sem pagar um centavo de impostos aos cofres do estado. A ida da montadora para a Bahia foi um prato cheio para a imprensa bombachuda oficial. “Queremos a Ford!”, bradava a mídia tupiniquim dos pampas na época em que ela pagava a folha de seus empregados só com os comerciais do Banrisul e da CEEE. E, em ato contínuo, a orquestra afinou e partiu para o de costume quando decisões de poder não se alinham com  interesses dos órgãos de comunicações. Então, era pau no Olivio!  Desde às 5 da  madrugada com aqueles comunicadores senis que não dão mais caldo – por isso é que sobra apenas a madrugada pra eles - até à noite. Inclusive nos programas de esporte o tema seguia recorrente com notícias fantasiosas e com timbre de voz raivoso.

Pois aí está a Bahia - tão lembrada de 99 a 2001 pela imprensa subserviente do RS  - contabilizando um rombo de mais de R$ 2 bilhões de incentivos fiscais que – pelo canto mentiroso da sereia – o total das renúncias seriam resgatadas em 1/5 do tempo aprazado para a Ford ficar mamando às custas do estado baiano. Era o trato apoiado pelos espertos, não era?  O único trouxa e membro do clube da “vanguarda do atraso” era o governador Olívio Dutra. Bastava uma notícia sobre um suspeito crescimento no número de carros montados pela Ford na Bahia, e os vassalos da Fiergs entravam imediatamente em ação diante dos microfones ou nas redações dos jornais, lembrando ter sido a montadora mandada embora do RS. Foi. E muito bem feito.

Passados 11 anos, o RS pode comemorar, sim, aquela expulsão imperiosa de uma tubarão do capitalismo selvagem que, neste momento de desesperança experimentada pela esmagadora população brasileira, desemprega  quase 6 mil trabalhadores no País das mentiras que se avolumam a cada dia. Pode até passar arranhando, mas de alguma forma, os “fordistas” da ocasião vão ter que engolir essa.  Mesmo que disfarçando o ranger de dentes e/ou furando  seus bolsos pelo “tique nervoso” provocado pela indignação, ódio e burrice. Tudo  junto. E isso deve dar um estrago na alma, não é?  Então, passados onze anos, um estouro de R$ 2 bilhões, resultante dos criminosos incentivos fiscais, deixa de cair no colo do governador gaúcho. Ufa! O RS safou-se desta. Pelo menos são 6 mil gaúchos a menos acordando desempregados, em situação de aflição e desespero pelo futuro incerto. Seria querer demais que a mídia “dá o meu” fizesse um “mea culpa” pelo linchamento moral que fez se avolumar, dia após dia, nas costas de Dutra. Mas Dutra tinha razão. E de sobra.

 

Jorge Hohmann é radialista