Jornal Rio grande

EBR poderá dobrar número de empregos com novos projetos

  • Abgail Cardoso/Assessoria
  • 17/01/21 as 10:43

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Foto: Sinaval

Os CEOs das empresas EBR e Toyo Setal, respectivamente, Maurício Godoy e Dorian Zen, estão confiantes. Apesar dos desafios decorrentes da pandemia do novo coronavírus, que vêm sendo superados com medidas de distanciamento social, reorganização de fluxos de trabalho, testagem em massa, reforço na limpeza e higiene, ambas as empresas conseguiram se manter em operação ao longo de 2020 e disputam com boas chances novos projetos a serem executados a partir de 2021.

No setor de óleo e gás offshore, que é a área de atuação do EBR, o cenário é muito positivo. São esperados de 3 a 4 projetos de plataformas FPSO por ano durante os próximos cinco anos. “A Petrobras anunciou para os próximos anos sete plataformas FPSO no campo de Búzios, na área do pré-sal, com regras de conteúdo local. Já passamos pela fase de análise técnica e financeira e fomos aprovados. Estamos bem posicionados nessas disputas e estamos confiantes que ganharemos projetos”, afirma Godoy.

Segundo ele, os campos do pré-sal são reconhecidos por sua alta qualidade e isso tem impulsionado o mercado de FPSOs no Brasil. Além de novos projetos, a Petrobras anunciou sua intenção de equilibrar o modelo de contratação de sua frota de FPSO entre leasing e plataformas próprias (EPC). Nos últimos anos, a estatal focou no leasing e agora pretende dar continuidade também aos contratos de EPC, como nas plataformas P-78 e P-79, que estão em licitação.

 

“Não temos dificuldade em ampliar o contingente para três mil trabalhadores”

Exxon Mobil, Shell, BP e Equinor também estão aumentando sua participação no mercado offshore brasileiro com base na aquisição de novos campos de petróleo em recentes leilões de petróleo.

Segundo Godoy, o estaleiro EBR está bem preparado para atender essas demandas. “Ao longo de 2020, fizemos investimentos em ampliação de capacidade, na construção de uma nova cabine de pintura, remodelação do pipeshop, alargamento de ruas e instalação de gás industrial em todos os prédios de produção. Os investimentos também incluem melhorias na área de segurança do trabalho, atingindo padrões internacionais.”

Apesar da maior complexidade, Godoy afirma que a empresa está capacitada também para executar esses projetos de acordo com as regras sanitárias para prevenção da covid-19. Durante 2020, a pandemia não impediu a execução dos três projetos que estavam em andamento e devem se estender em 2021, e que contam com efetivo de 1.500 pessoas. “Não temos dificuldade para ampliar o contingente para 3 mil pessoas, garantindo o distanciamento social e os protocolos de higiene”, conclui o CEO do estaleiro EBR.

Diversificação e energias limpas

“Nos meus 26 anos no grupo, nunca fizemos tantas propostas para o mercado como em 2020 em diversos setores. Temos perspectivas muito boas para os próximos anos, inclusive no setor de óleo e gás, decorrentes dos desinvestimentos da Petrobras, que vai reduzir sua capacidade de refino em 50%. Com isso, os compradores terão de investir na reforma e modernização desses ativos para atender à regulamentação ambiental e padrões dos produtos”, afirma Dorian.

Segundo ele, em parte, impelida pela crise dos últimos anos no setor de óleo e gás e, em parte, por vislumbrar novas oportunidades, a Toyo Setal decidiu ampliar seu foco de atuação para novos mercados e vem se preparando para isso. Óleo e gás e petroquímica estão no DNA da empresa e se mantêm como setores importantes. Mas agora também estão no radar os setores de papel e celulose, redes de transmissão de energia, termelétricas a gás, saneamento básico, biogás e geração de energia a partir do lixo (waste to energy).

Em óleo e gás, as oportunidades estão relacionadas, principalmente, ao chamado Novo Mercado de Gás, que quebra o monopólio da Petrobras na cadeia e, com isso atrai investimentos privados nos segmentos de processamento, transporte e distribuição. De acordo com a EPE (Agência Brasileira de Pesquisa Energética), a produção de gás crescerá dos atuais 135 milhões de m3/dia para 253 milhões de m3/dia até 2029.

Aliado a isso, o governo federal anunciou sua intenção de reduzir pela metade o preço do gás a médio e longo prazo. “Com isso, as indústrias petroquímicas e de fertilizantes vão voltar a todo vapor, o que é importante para o setor agrícola, que hoje depende de importação”, diz Dorian.

A ampliação da oferta de gás a menor custo impulsiona ainda as usinas termelétricas, importantes para aumentar a robustez do sistema de energia, em razão das dificuldades para instalação de novas unidades por causa de restrições ambientais. O aumento da produção termelétrica, por sua vez, demanda a instalação de novas linhas de transmissão. O governo tem realizado leilões para impulsionar a participação da iniciativa privada neste segmento. Nos últimos oito anos, o CAPEX médio concedido em leilões de transmissão de energia foi de R$ 14,6 bilhões, nível que deverá ser mantido nos próximos cinco anos.

Outro setor interessante é o ambiental, fomentado pelas metas do novo marco do saneamento básico, que favorece a entrada da iniciativa privada. Estão previstos investimentos de R$ 130 bilhões no setor para fornecer tratamento de água e esgoto para 100% da população. Hoje metade dos brasileiros não tem acesso a tratamento de esgoto.

Também com base no novo marco do saneamento ambiental, há uma pressão sobre os municípios para acabar com o descarte de resíduos sólidos em lixões. Atualmente metade das 100 milhões de toneladas de lixo não tem um destino adequado. Segundo Dorian, isso cria oportunidade para a tecnologia waste to energy.

A instalação de usinas de produção de biogás a partir da vinhaça, que é um resíduo da produção de etanol, é outra área em expansão. Elas solucionam um velho problema dos usineiros, que é dar um destino adequado a esse rejeito (a produção de 1 litro de etanol gera 12 litros de vinhaça). O biogás pode substituir, com vantagens ambientais, o diesel nos equipamentos agrícolas e o excedente, se houver, pode ser vendido na rede. Como segundo maior produtor mundial de etanol, o potencial de produção de biogás chega a 100 milhões m3/dia.

Tanto a energia gerada a partir do lixo como o biogás a partir da vinhaça geram créditos que podem ser comercializados na B3.

Na avaliação de Dorian, as energias limpas devem crescer muito nos próximos anos. “Estamos preparados para essas novas demandas. Não desmobilizamos nossas equipes nem mesmo durante da pandemia, ao contrário contratamos especialistas nas novas áreas. Além disso, temos uma longa história de sucesso em grandes projetos e contamos com o apoio da Toyo Japão.”

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