Jornal Rio grande

Prognóstico climático para a primavera e verão 2020/21

  • Cátia Valente
  • 04/11/20 as 9:44

 

Ao longo dos últimos meses (outono e inverno), as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial vinham apresentando uma queda em relação ao normal, ou seja, resfriando lentamente, indicando uma condição de La Niña, que agora entre meados de setembro e início de outubro consolidou a formação deste fenômeno climático de grande escala cuja influência se verifica em todo o planeta.

No Brasil, este fenômeno tem bastante influência, especialmente nas regiões nordeste e sul, e portanto, nos afeta diretamente, e dependendo da estação do ano em que o pico do evento ocorre, suas consequências podem ser maiores ou menores.

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Com este resfriamento que já vinha sendo observado, o inverno aqui no Rio Grande do Sul foi marcado por chuvas muito irregulares e no geral abaixo da normalidade em grande parte do Estado. A exceção foi a parte mais leste gaúcha, onde a atuação de dois eventos de ciclone extratropical, favoreceram chuvas com volumes muito elevados em curto espaço de tempo gerando impactos de cheias na metade norte/nordeste gaúcha. 

Já na região sul do Estado, e portanto aqui o município de Rio Grande, os volumes ficaram abaixo da normalidade ao longo da estação, como pode ser observado na figura 2, onde pode ser visto o volumes de chuva ocorrido comparado com a média normal, ou seja, o que choveu ou deveria ter chovido ao longo da estação.

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Com a chegada da primavera, espera-se que os volumes de chuva aumentam de forma significativa, pois os meses de setembro e outubro são os mais chuvosos do ano aqui no Estado. Porém, esta condição não se verificou, exatamente por causa das águas frias do Pacífico, que mudam a circulação dos ventos e consequentemente afetam o regime de chuvas. As frentes frias, que são os principais sistemas que provocam a chuva aqui no Estado, são desviadas pelos ventos em altitude sem conseguir entrar de forma mais efetiva, e assim diminuindo om potencial chuvoso no Rio Grande do Sul. O resultado foi uma primeira metade da primavera com chuvas aquém do desejado e esperado.

Para esta segunda metade da estação, agora com a La Niña consolidada e em curso, a tendência para novembro e dezembro é de que os volumes de chuva sigam abaixo da normalidade em todo o Estado. 

Importante lembrar, que a primavera é uma época de reposição de água para o enfrentamento do verão, cujas chuvas naturalmente são irregulares e com volumes menores. Com relação as temperaturas, estas tem mostrado grandes amplitudes, uma condição considerada normal para a estação, com manhãs e noites mais amenas e tardes que tendem a ficar mais quentes à medida que nos aproximamos do verão, a estação mais quente do ano.

E agora, falando em verão a expectativa também segue nesta mesma linha. Os volumes de chuva tendem a ser irregulares no tempo e no espaço, ou seja, os eventos de chuva serão espaçados e os volumes abaixo da normalidade. Podemos dizer que são esperadas as estiagens regionalizadas por todo o Estado, inclusive aqui na região sul, implicando em problemas na agricultura gaúcha e possivelmente no abastecimento. 

Quanto as temperaturas, espera-se uma estação quente e típica em todo o Estado, mas sem expectativa de anormalidades.

 

Cátia Valente é meteorologista