Jornal Rio grande

Pedido de plano municipal de vacinação gerou discussão na Câmara

  • Ique de la Rocha
  • 19/01/21 as 8:46

Na sessão desta segunda-feira, 18, na Câmara Municipal, uma indicação de requerimento do vereador Rafael Missiúnas (PT) acabou gerando polêmica. Ele pedia informações ao Executivo sobre a existência de um Plano Municipal de Vacinação, com vistas à Covid-1: as tratativas da Prefeitura com os governos estadual e federal, quem irá receber a vacinação, quais serão os grupos prioritários e se há possibilidade do Governo do Município também adquirir vacinas. Também indagou o que está sendo feito para evitar aglomerações e questionou o fim do home office na Prefeitura. “Esta é uma demanda de toda a cidade do Rio Grande, que espera ansiosa pela vacina”, justificou o parlamentar.

Críticas

O vereador Júlio César Silva (MDB) foi o primeiro da base do governo a se manifestar. Ele disse que “a indicação já começou vencida, pois está no site da Prefeitura que vai começar a vacinação. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) irá selecionar um profissional da rede de saúde para receber a primeira dose. Rio Grande está na fila para receber as vacinas. A secretária Zelionara Branco encontra-se em reunião permanente com a Secretaria Estadual da Saúde e o prefeito Fábio Branco tem se reunido com a Famurs (Federação dos Municípios do RS). Por que a administração anterior já não deixou as vacinas compradas? Estamos na terceira semana de governo e o PT teve todo o tempo do mundo para fazer isso. Não deixaram pronto um plano de vacinação? Não fizeram quando deviam fazer e agora fazem uma indicação só para publicar em rede social? A vacina vai chegar nas unidades de saúde que possuem salas de vacinação. Os profissionais de saúde terão prioridade, por óbvio. O assunto já está resolvido, não precisa de nenhum outro tipo de movimento. Está sendo tratado por quem tem de tratar do assunto”.

O vereador Giovani Moralles (Patriota) denominou a iniciativa do vereador petista de “oportunismo”, enquanto Júlio Lamim (Democratas) criticou as brigas políticas “usando a vacina como pano de fundo”. Ele entende que o assunto poderia ser tratado por ofício, ao invés de levar à tribuna e gerar apreensão na população. Embora não seja da base do governo, ele disse que não é o momento para polêmicas e que o Executivo está agindo. “Se não cumprirem, aí cabe cobrar com rigidez. É um tema sensível que precisa ser tratado com o máximo cuidado e não com interesse político, como está sendo feito aqui”.

“Se pede é clareza”

Inicialmente, a vereadora Denise Marques (PT) rebateu o vereador Júlio Cesar: “A notícia no site da Prefeitura não está completa. Queremos saber do plano, as estratégias, as metas de vacinação, quantas doses calculam que teremos. Se fizermos uma conta das 341 mil doses que estão chegando no estado, tendo de aplicar a primeira e a segunda dose, ela não será suficiente para atender os 347 municípios. E temos de dizer à comunidade de que forma o governo municipal pretende agir. Tenho certeza que a secretária Zelionara faz um trabalho de excelência e, por entender dessa forma, é que esse plano precisa ficar claro e transparente, para que a comunidade não se sinta preterida. Não pode haver dúvidas: por que um recebe a vacina e outro não”

A vereadora petista observou que “quanto mais rápido ocorrer a vacinação, mais rápida a normalidade irá acontecer. Se pede é clareza e isso é iniciativa não só do mandato do vereador Rafael (Missiúnas), como de qualquer mandato. Pedimos transparência e que as notícias sobre vacinação venham acompanhadas de quantas doses teremos direito, quais serão os grupos prioritários, porque gostaria de incluir entre as prioridades os trabalhadores em educação. Quero que voltem as aulas, mas em segurança. Estamos exercendo o direito de questionar o que a comunidade nos diz que é importante. Fiquei até surpresa com a reação dos vereadores da base do governo. Parece que o governo não quer transparência. Se não foi feito um plano para a vacinação está na hora de fazê-lo e submetê-lo à comunidade, através do conselho que representa os usuários e a nós. Há necessidade de vacinação já”.