Jornal Rio grande

Movimentações apontam para o ressurgimento do Polo Naval

  • Ique de la Rocha
  • 19/01/21 as 9:50

Desde os tempos do jornal “Sul RS”, sempre mantive minha crença no ressurgimento do Polo Naval e o que mais ouvi, inclusive de pessoas tidas como lideranças da cidade, era que o projeto “já era”. Que não deu certo (?) e que não dará certo.

Isto mostra a visão de algumas pessoas da nossa comunidade e, para mim, essa atitude também justifica porque Rio Grande ainda é atrasada e carente de muita coisa. Também justifica por que ninguém, com exceção dos trabalhadores metalúrgicos, se dispôs a brigar de verdade pelo retorno do Polo Naval.

Por isso, Rio Grande só cresce de verdade quando vem algum projeto de fora. Tivemos um forte impulso em 1937 quando surgiu a Refinaria de Petróleo Ipiranga, por iniciativa de um grupo de visionários de Uruguaiana. Depois crescemos nos anos 70 com as obras do chamado Superporto, um projeto do Governo Federal, ou seja, que veio de cima para baixo. E, mais recentemente, com o Polo Naval, outro projeto gestado e implantado por Brasília.

Os empresários de fora acreditam mais em nosso potencial que nós mesmos. Para ilustrar, lembro de um evento promovido por uma entidade empresarial local, no Cidec da Furg, para debater o desenvolvimento do município. Já era a época do Polo Naval e o palestrante, um dos diretores do Grupo Partage, Renato Macedo. O shopping ainda estava sendo construído e, em dado momento de sua fala, após várias indagações da plateia, Macedo se viu obrigado a fazer a seguinte observação: “Vim aqui acreditando que vocês iriam me convencer que Rio Grande tem tudo para dar certo e está acontecendo o contrário: eu é que estou convencendo vocês que Rio Grande vai dar certo”.

Poderemos ter novamente três estaleiros em atividade

Fontes de muita credibilidade, que sempre me colocaram a par do que acontece no setor naval ligado ao nosso município e região, e com ótimo trânsito junto aos estaleiros, nesta segunda-feira, 18, passaram a esta coluna informações muito positivas.

A primeira boa notícia, e que não é mais novidade: o estaleiro EBR, de São José do Norte, confirmando a excelência de seus serviços, reconhecida em 2019 com premiação da Petrobras, mais uma vez está concluindo a entrega de quatro módulos dentro do prazo. Vem novas encomendas por aí, como nosso site está noticiando, e tem mais: o EBR também cogita utilizar as instalações da QGI, na extremidade de nosso Porto Novo, caso elas continuem ociosas.

Outras boas notícias que nos levam a crer que poderemos ter novamente três estaleiros em funcionamento nas duas cidades (Rio Grande e São José do Norte): é que a própria QGI pensa em continuar as atividades e está concorrendo nas licitações para atender demandas da Petrobras. Aliás, tudo leva a crer que nas futuras licitações estarão presentes o EBR, QGI e a Ecovix. Esta última, pensa em atuar no descomissionamento (desmanche para transformar em sucata) de plataformas, um mercado considerado muito promissor e construção de plataformas. Para isso aposta na parceria com uma empresa holandesa.

Importação de mão de obra

Somente o estaleiro EBR movimenta significativamente a economia de São José do Norte e também de nossa cidade. Além disso, o que acontece no vizinho município, e ligado ao estaleiro, acaba tendo repercussão longe daqui.

Há questão de duas semanas um anúncio circulava no Rio de Janeiro informando que havia vagas em uma empresa sistemista para soldadores super duplex e de ligas especiais. Apesar de termos uma expressiva mão de obra qualificada, esta é uma das funções que os estaleiros precisam importar mão de obra. E na “Cidade Maravilhosa” estavam anunciando uma caravana até São José do Norte para trazer os referidos profissionais interessados em trabalhar na vizinha cidade. A previsão era de deixarem o Rio de Janeiro na semana passada. .

Impeachment é pouco

Em qualquer país sério um presidente com a postura de Jair Bolsonaro já teria sofrido um processo de impeachment. Por muito menos Collor e Dilma foram cassados. Vidas estão sendo sacrificadas, milhares de pessoas estão sofrendo, a economia e as empresas brasileiras estão quebradas, o desemprego e a inflação seguem aumentando, as mentiras são ditas em profusão pelo nosso primeiro mandatário, as evidências de corrupção existem na família do presidente, a nova maneira de fazer política se aliou ao Centrão, Roberto Jefferson agora virou herói para os bolsonaristas, o Brasil está sendo entregue para o capital internacional praticamente de graça e prosseguem os desmandos na condução da Nação. É muito triste. Praticamente todos os dias tem uma novidade e nenhuma delas é boa para o país. Com todas as mentiras e desatinos Bolsonaro continua e o Brasil cada vez piora mais, enquanto a vida vale cada vez menos.

Nesta segunda-feira, 18, tive o desprazer de ouvir um médico, numa rádio de Porto Alegre, proferir um discursinho e dizer que o bom da chegada da vacina é que a grande imprensa irá parar de assustar as pessoas com a pandemia. Assustar as pessoas? Insistem na tese de que a Covid é uma gripezinha, enquanto ela vai matando milhares e deixando outros milhares sequelados.

Este médico, que é gastroenterologista e nem está na linha de frente para salvar a vida das pessoas, deveria pensar, se não nas pessoas infectadas e seus familiares, ao menos nos seus colegas de profissão e em todos os profissionais de saúde, que estão arriscando as suas vidas para salvarem as vidas alheias. Mas, infelizmente, não se pode esperar um pingo de bom senso desse tipo de gente.