Jornal Rio grande

Janeiro foi o mais fraco das temporadas no Cassino

  • Ique de la Rocha
  • 22/01/21 as 9:31

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Foto: PMRG

Praticamente todos os setores da economia estão registrando uma queda no movimento, nessa temporada de veraneio no Cassino. Já nos primeiros quinze dias de janeiro se constata, quando muito, as pessoas circulando, mas isto também não significa que esteja havendo consumo.

Nossa reportagem ouviu empresários e comerciantes. A expectativa é que a situação possa melhorar com o avanço do veraneio, mas a pandemia da Covid-19 continua sendo o maior obstáculo e a vida, com a ameaça do vírus, não tem como voltar ao normal neste momento.

Setor imobiliário

No ramo imobiliário, o corretor Renato da Rocha observa: “A procura não está como em outros anos, evidentemente. É muito menor. O mercado de compra e venda é que está melhor. Tem oferta e boa procura”.

Rocha diz que a venda mostra-se regular, mas tem comercializado principalmente imóveis de alto padrão, que é um dos focos de seu negócio.. Quando o preço é bom, o imóvel é vendido. Quando os proprietários pedem demais, evidentemente que não sai. Mas os preços estão razoáveis, coerentes com o mercado”. Conforme ele, a média de preços na comercialização de um imóvel é de R$ 500 mil, mas possui apartamento de um dormitório na avenida por R$ 250 mil. “Quem compra é mais gente de fora da cidade, que está investindo, pois pode alugar por um bom valor e ainda ganha com a valorização do imóvel”.

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Renato da Rocha

Com relação ao mercado de locações, Renato da Rocha considera “muito fraco” nesse mês de janeiro. Ele aluga por mês ou por quinzena. Uma kitinete custa R$ 3 mil ao mês, o equivalente a uma diária de R$ 100. Uma casa mais ampla, com piscina e 5 dormitórios, está entre R$ 600 a R$ 800 por dia.

Esperança para o período de carnaval

Já o corretor de imóveis Paulo Leite informa que “no Natal e Ano Novo se alugou todas as casas com piscina, mas de lá para cá, algumas permaneceram alugadas e outras desocuparam e encontram-se vazias”. Ele avalia que “a primeira quinzena da temporada de veraneio foi muito ruim, mais que nos outros anos. Na verdade, a primeira quinzena sempre foi mais fraca no veraneio. Uma das causas era o período do vestibular. Depois veio o Enem e continuou da mesma forma, mas este ano ficou ainda pior. Certamente essa queda na procura se deve mais à pandemia”.

Mesmo ressaltando que “o fracasso na primeira quinzena não significa que na segunda quinzena e em fevereiro vá ser a mesma coisa”, Leite observa. “Tinha uma expectativa boa para este verão, até pela necessidade das pessoas em desfrutarem de banhos de mar depois de tanto tempo presas em suas casas, mas isso não está se confirmando e não tenho muita esperança que melhore. A segunda quinzena continua ruim. De positivo é que já tenho procura por locações para o carnaval, que costuma ser tão bom para o setor de locações quanto o Natal e Ano Novo. Mesmo sem ter carnaval, o pessoal gosta de aproveitar o feriado. Vamos ver”.

Paulo Leite informa que tem vários imóveis para locação. Desde aqueles com piscina, até os mais acessíveis. A diária custa em média R$ 150 e tem casas por R$ 1.800 ou R$ 2.000 ao mês, o que daria cerca de R$ 60 a diária.

Com relação à venda de imóveis, “elas estão boas. Tem procura e está se vendendo. O preço médio, entre casas e apartamentos, varia entre R$ 200 mil e R$ 400 mil. Algumas pessoas da cidade estão comprando imóveis, mas a procura maior é do pessoal da região, como Pelotas, Bagé e Dom Pedrito”.

Hotelaria

“Está feia a coisa”. Este foi o desabafo do empresário Luis Mário Oliveira ao comentar a movimentação no Cassino durante esta temporada de veraneio. Proprietário de uma pousada e de um apart hotel no balneário, ele observa que, devido a pandemia, “o Cassino está virando um atrativo só de fim de semana. Nos demais dias está fraquíssimo”.

Oliveira informa que está com metade da ocupação do veraneio passado que, em relação à capacidade de sua pousada, significa 30% do total de apartamentos. Nos finais de semana seu estabelecimento lota (dentro da capacidade permitida, em virtude dos protocolos sanitários), mas nos dias úteis o movimento cai significativamente. E isso que durante a semana ele faz promoções com 50% de desconto na diária.

Já o restaurante, que é aberto ao público externo e conta com expressivo número de rio-grandinos entre a clientela, o movimento caiu, também devido à Covid-19, mas ele considera que está bom.  No apart hotel, ele diz que a situação é semelhante à da pousada: “É a mesma coisa. Os fins de semana lotado e os demais dias com movimento fraco”.

A clientela para os estabelecimentos do empresário são oriundas principalmente das cidades da região, como Pelotas, Bagé, Pinheiro Machado, Jaguarão e Dom Pedrito.  Ele lamenta que neste ano os turistas da Argentina e do Uruguai não vieram, pois ele tem uma clientela fiel entre os vizinhos.

Além da influência nessa queda de movimento, a pandemia também provoca outro transtorno: hóspedes cancelaram reservas de última hora porque acabaram sendo contaminados pelo Coronavírus.

“Como nossa estrutura é pequena, a gente consegue segurar e temos de nos adaptar à realidade. Se é assim, é assim. Não contrata, trabalha mais, mas vamos nos adaptar”, conclui Luis Mário Oliveira.

Comércio

O comércio também sente os efeitos da diminuição no movimento do Cassino. Praticamente todos os comerciantes reclamam da queda nas vendas em comparação à temporada de veraneio passada e atribuem o problema à pandemia.

Para Maria Emília Flores, que trabalha com tapeçaria mineira, “o veraneio está muito fraco. Estamos sobrevivendo aqui”. A loja dela situa-se na avenida Rio Grande, a principal do balneário, mas também diminuiu a circulação de pessoas aonde ela se encontra. “Estou localizada frente à cancha de bocha e parece que o Cassino só vai da Igreja até a avenida Beira-Mar. O movimento está lá. Da Igreja para cá, na direção da saída do balneário, ficou horrível”.

A comerciante de calçados, Ediane Vettorello, concorda: “Nesses primeiros 15 dias tivemos uma queda muito grande nas vendas e noto que isso acontece também em função da maior circulação de pessoas estar acontecendo da igreja em direção à praia, enquanto para nosso lado o movimento tem sido zero”.  

A explicação é simples: em outros anos havia movimento na cancha de bocha, tinha a Confraria dos Canalhas com música ao vivo na avenida, o Cine Dunas em atividade e o espaço da Associação dos Artesãos, que atraía turistas para aquele lado da avenida Rio Grande. Em virtude da pandemia, essas atividades foram suspensas. “Para teres uma ideia, nos períodos do veraneio era comum ficarmos até as 22 horas com movimento. Hoje estou fechando às 20 horas e sem movimento”. Ediane ainda lamenta que não haverá carnaval na avenida, neste ano.

Para as duas comerciantes, este ano está sendo bem complicado, o que não é diferente para quem tem negócios no balneário. Mesmo no lado com maior circulação de pessoas, existe mais gente do que vendas, lamentam os cassinenses.

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