Jornal Rio grande

O fechamento da Ford, o Banrisul e mais

  • Nerino Dionello Piotto
  • 22/01/21 as 9:50

 

Caríssimos leitores,

Hoje vamos abordar temas polêmicos. 

O fechamento da Ford, o revigoramento do Banco do Brasil e quiçá do BANRISUL.

Dois “posts” em grupo de colegas do BB de Rio Grande, todos ex-funcionários, me chamaram a atenção: do Jorge Luiz Serafim: “ A vida é um teatro onde desempenhamos diversos papéis. De nada adianta ficarmos cristalizados no passado”; da Estela Chaplin: ”o funcionalismo do BB continuando e sendo o grande patrimônio” e uma das letras  de Chico Buarque: “Eu bem que mostrei a ela, o tempo passou na janela e só Carolina não viu...” . Tudo a ver, a meu ver.

O tempo é inexorável! Não é simples mudar conceitos, ideias, comportamentos e atitudes que fizeram, no passado, todo o sentido e que nos trouxeram ganhos e alegrias e felicidade. 

O tempo cobrou da Ford, que ficou estagnada tecnologicamente no sucesso do passado. Ela começou a ver pelo retrovisor a chegada de empresas modernas, como a Tesla, carros elétricos, cujo patrimônio hoje é 20 vezes o da lendária e secular Ford. É o teatro da vida!

O Banco do Brasil acordou a tempo de preservar – vão-se os anéis e ficam os dedos -  seu rico e grande patrimônio (seu funcionalismo)  de não ter que fechar as portas. É triste e angustiante a situação? É! A gente idealiza muito, acredita que nada vai mudar: aí vem o tempo, mais uma pandemia de contrapeso e... tudo muda! Para melhor e para pior.

Já o BANRISUL, penso, não deveria o Estado gastar pólvora em chimango! Enquanto vale, deveria ser vendido, pois poderá perder valor e quiçá ter de ser liquidado em alguns anos. “Eu bem que mostrei a ela, o tempo passou na janela e só Carolina vão viu”.

Óbvio que, como eu, muitos colegas têm saudades dos tempos do BB das décadas de 70, 80.Eu diria que em Sta. Vitória do Palmar e em Rio Grande, onde labutei no BB antes de ir para o Banco Central em Brasília, graças à irmandade dos amigos do BB vivi os mais felizes anos de minha vida. Mas de nada adianta ficar cristalizado no passado.

O Brasil passa por um período cruel. Segundo  IEDI (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) estamos com a menor participação da indústria no PIB desde 1947, abaixo de 10%. Um processo de desindustrialização muito rápido e prematuro. O processo é natural, mas depois que os países enriquecem, não é o nosso caso. 

Enquanto muitos países avançaram  em tecnologias, nós no Brasil vivemos às voltas com crises políticas, corrupção.

Mas não é fim do mundo. Se tivermos bom senso, como o BB está tendo, e os governos não atrapalharem, poderemos virar o jogo, deixando de exportar “commodities” agrícolas para vender produtos industrializados. E, óbvio, para isso temos que  tirar as travas atuais, ou seja: acelerar a agenda de reformas, como a Administrativa e a Tributária e dar mais celeridade aos programas de vacinação.

Pensem nisso, tenham todos um ótimo finde, fiquem com Deus, cuidem-se!

 

Nerino Dionello Piotto é economista