Jornal Rio grande

Ah, se o tempo voltasse!

  • João José Reinbrecht Braga
  • 24/01/21 as 11:30

 Se o tempo voltasse e eu pudesse escolher, seria tudo exatamente igual, não mudaria nada.

Escolheria os mesmos pais que tive, que sempre me ensinaram com exemplos e conselhos; queria ter as mesmas irmãs, que participaram ativamente da minha vida e em todos os momentos; teria as mesmas brigas e desentendimentos, pois com eles aprendi que razão é uma questão de referencial e emoção, e emoção, de afeto e respeito ao próximo...

Ingressaria na mesma escola, queria a mesma professora e os mesmos colegas, que até hoje me trazem lembranças sensacionais; trabalharia nos mesmos locais onde trabalhei, pois lá aprendi muito para resolver os problemas que a vida nos apresenta...

Iria às mesmas brincadeiras e aos mesmos bailes animados pelas mesmas músicas e conjuntos; a minha vida escolar e acadêmica seriam as mesmas, cursaria os mesmos cursos que cursei tanto na graduação, como na pós- graduação; exerceria a mesma profissão que me faz e fez tão feliz, aprendendo muito mais do que ensinando.

Queria sofrer os mesmos acidentes que sofri, pois com eles aprendi a dar valor à vida e à liberdade; pegaria as mesmas ondas que peguei, pois minha prancha riscava o mar sem deixar cicatrizes; galoparia nos mesmos cavalos que galopei, pois nenhum cavalo abandonou nossa amizade em momento algum.

Faria parte dos mesmos grupos musicais tocando os mesmos instrumentos, onde encontrei mais do que amigos, encontrei irmãos; teria a mesma vida maçônica que tive, buscando sempre a justiça e perfeição junto a todos e com a participação dos irmãos; tomaria o mesmo whisky que tomei com os mesmos parceiros que me acompanharam.

No movimento tradicionalista, dançaria nas mesmas invernadas que dancei, com os mesmos parceiros e as mesmas músicas; faria parte da mesma Academia de Letras com os mesmos confrades e confreiras; escreveria os mesmos poemas e textos e editaria os mesmos livros.

Queria os mesmos colegas de profissão e os mesmos alunos, pois com eles tive várias lições de vida e, em cada formatura, faria os mesmos discursos e com a mesma emoção; proferiria as mesmas palestras para o mesmo público, tanto de Reiki  como de física quântica...

E a esposa, filhos e neto? Preciso dizer? Junto com minhas noras e genro são as molas propulsoras da minha felicidade.

E a Deus? Continuaria crendo e amando, pois não sei, sinceramente, o que fiz para merecer tanta felicidade!

 

João José Reinbrecht Braga, o Prof. Maninho, é ocupante da Cadeira 34 da Academia Rio-Grandina de Letras