Jornal Rio grande

Aos 131 anos, ainda falta no Cassino maior infraestrutura para o turismo

  • Ique de la Rocha
  • 26/01/21 as 15:37

O primeiro balneário organizado do Brasil está completando hoje, 26, nada menos que 131 anos de existência. Além de ser uma das mais extensas praias do mundo, vem sendo ao longo dos anos a mais segura do litoral gaúcho, como se pode comprovar nas estatísticas, proporciona a possibilidade ímpar de se chegar com o carro até a beira do mar e atrai milhares de banhistas não só da Zona Sul, mas também da Fronteira e região central de Santa Maria, os irmãos platinos e outros.

Não temos uma praia paradisíaca, como as do Nordeste brasileiro, mas somos privilegiados. Quantas e quantas pessoas se deslocam 200, 300 quilômetros ou até mais para chegar numa praia e nós aqui, com toda aquela extensão de mar à nossa disposição?

O Cassino possui uma boa gastronomia e a diversão, especialmente para os mais jovens, é garantida. Sem falar nos eventos populares, como a Festa de Iemanjá e o carnaval que neste ano, em virtude da pandemia, não se realizarão, mas se consolidaram como ingredientes imprescindíveis do verão rio-grandino.

Ainda falta em nosso balneário e na praia uma maior infraestrutura para o turismo. Uma situação que simboliza todo esse descaso com o turismo é a existência de uma das maiores obras de engenharia do mundo, os Molhes da Barra, que proporcionam um lindo passeio de vagonetas até sua extremidade, quatro quilômetros oceano a dentro, pouco conhecido no Brasil e até mesmo no Rio Grande do Sul. Um local que era para ter um restaurante panorâmico ou um terminal com estrutura que fosse mínima e não possui, sequer, sanitários ou ao menos um penico para receber os visitantes.

Mais um motivo para lamentarmos nossa falta de iniciativa.

Cassino do Sol

Dia desses estava com alguns conhecidos recordando algumas casas noturnas do Cassino, como o Larus, Forte Apache, Don Quixote e outros e, nesta coluna, vou dar continuidade a essa “sessão remember”. Os mais antigos também se lembram que nas noites cassinenses tínhamos um verdadeiro show ao ar livre na avenida Rio Grande, animado pelo saudoso Lúdio Porto Alegre. Esta coluna reproduz texto do querido Célio Soares, publicado em seu belo livro “Ecos do Passado”, com o título acima e o texto abaixo:

“Na década de 1960, Lúdio Porto Alegre deu início às suas promoções de veraneio, criando o ‘Cassino 65’. Essas promoções perduraram até meados da década de 80, já com a participação de outro incansável batalhador pelo turismo em nossa terra: Américo Souza e Silva.

Lúdio e Américo, em frente ao Hotel Atlântico, com o apoio da Ipiranga, num palco em forma de lata de cera ‘Isa’, criado pelo gênio inventivo do engenheiro João Ivo Souza, realizavam grandes promoções nos meses de janeiro e fevereiro, distribuindo centenas de prêmios.  

Em 1965, graças ao sucesso alcançado, Lúdio foi homenageado por iniciativa das senhoras Conceição Cosenza, Beatriz Santos e Angelina Dourado, no dia 8 de fevereiro, tendo como ‘mestre-de-cerimônia’ o médico Colombo Cosenza, conforme escreveu a então cronista social Marlene de la Rocha, no semanário O Peixeiro.

Foi uma noite inesquecível para o Lúdio e para o grande público presente. Uma festa com músicos, cantores e até bailarinos. Lúdio, emocionado, a partir de então criou novas promoções, como ‘Rio Grande do Sol’ e ‘Cassino do Sol’, com o apoio dos setores do Turismo da Prefeitura e do Governo do Estado, além de obter patrocínios de grandes empresas locais e de fora do município. Lúdio conseguiu na ocasião a façanha de trazer ao Cassino, por três vezes, a famosa Esquadrilha da Fumaça.  

A partir do ‘Cassino 65’, em todos os verões eram vistos nos automóveis os adesivos plásticos desenhados pelo Lúdio com motivos praianos e o nome do balneário. Esses adesivos acabaram se tornando objetos de coleção.

Por decisão da Câmara Municipal, o espaço fronteiro ao Hotel Atlântico, onde o saudoso radialista e publicitário deu início às suas promoções, leva o nome de Largo Lúdio Porto Alegre”.

Do Rio Grande a Montevidéu pela praia

Também extraído do livro “Ecos do Passado”, de Célio Soares:

“Antes de existir a estrada que nos liga ao Chuí, o transporte entre Rio Grande e Montevidéu, a partir de 1944, era feito pela praia, por uma empresa uruguaia chamada Organización Nacional de Autobuses, cuja sigla era ONDA. A inauguração da linha, por influência de Rubens Balbela, filho do cônsul daquele país em nossa cidade, Don Nicolas Balbela, aconteceu no dia 9 de setembro de 1944. Naquele dia chegaram ao Rio Grande seis ônibus da ONDA trazendo cerca de 140 pessoas, que foram recepcionadas à noite, no Cassino, pelo prefeito em exercício Mário Teixeira de Souza, pelo comandante da guarnição militar, coronel Dilermando de Assis (o mesmo cuja história amorosa foi retratada pela TV Globo na série Desejo), outras autoridades e população. Depois, na cidade, participaram de uma série de festividades e foram recepcionados na sede do consulado uruguaio, no Sobrado dos Azulejos. A partir daquela data as viagens passaram a ser regulares, três vezes por semana, naturalmente dependendo de condições favoráveis, especialmente no inverno.

O sr. Rubens Balbela e seu sogro, Joaquim Vieira dos Santos Jr, formaram a empresa Santos & Balbela, que passou a ser agência oficial da ONDA, com sede na Marechal Floriano, perto da Alfândega. Depois de algum tempo realizando viagens entre a capital uruguaia e nossa cidade, a linha foi estendida até Porto Alegre. Foi extinta nos anos 50, depois de servir por cerca de dez anos até ser aberta a chamada ‘estrada do inferno’ para o Chuí, mais tarde asfaltada e denominada BR-471. Em 1971 a estrada recebeu o nome de Rodovia Brigadeiro José da Silva Paes”.

A denominação da estrada para o Cassino

Em comentário anterior sugeri que fosse dada uma denominação à rodovia para o Cassino, entre o Trevo e o balneário. Pois já existe: é Rodovia Lúcia Maria Balbela Chiesa, em homenagem à engenheira, que foi servidora da Secretaria Municipal de Coordenação e Planejamento (SMCP) por muitos anos.