Jornal Rio grande

É campeão!! (Será?)

  • Jorge Hohmann
  • 31/01/21 as 12:12

 “O futebol é dinâmico”! Essa afirmativa já havia sido dita por vários treinadores e dirigentes antes da década de 90, mas aqui no RS é  atribuída a um playboy, presidente do Gremio no início da década de 90, mais especificamente o presidente do 1º rebaixamento, em 1991.

Porém, Rafael Bandeira dos Santos fez tantas estrepolias internas no comando executivo do tricolor gaúcho,  a ponto de transformar os recentes escândalos protagonizados por Vitório Píffero no Internacional e Wagner Pires de Sá no Cruzeiro  (que autorizou um pagamento de mais de 3 milhões de reais para Itair Machado , vice-presidente de futebol no ano de 2018, entre salários e premiações por conquistas de títulos) em coisa de trombadinhas. Historicamente, Rafael Bandeira foi humilhantemente o único a não possuir sua foto na sagrada galeria de ex-presidentes do clube - o que veio a ser corrigido pouco tempo atrás, sob acalorados protestos de muitos integrantes do CD do clube.

Só que a dinâmica de um time hoje é definida por estratégias de posicionamento, sobre as quais cada jogador desenvolve mais de uma função. Quando o jogador não estiver atuando em um objetivo específico, ele estará atuando em um objetivo tático, mas sempre obedecendo algum mapa estratégico. E sob este prisma, vejo no Inter a base de seu dinamismo construída pela “estratégia da intensidade” aplicada por Eduardo Coudet.

Com alguns reparos de posicionamento que deram ao time maior verticalidade ofensiva,  e valendo-se da força com veemência  de marcação ensinada por Coudet  (e some-se a isso um excelente preparo físico do elenco), Abelão – aquele do rol dos superados que provocaram muitos mêmes com deboches gremistas  – aparou as rachaduras do vestiário, em pouco tempo fez o grupo absorver o sentido do futebol solidário, e hoje está aí o Inter, contrariando todo o descaso que lhe foi prestado pelas mesas de debates entre cronistas esportivos do eixo Rio/São Paulo. Nem São Paulo (treinador de série B), nem Flamengo (preferiu uma invenção como treinador), nem Palmeiras (com um técnico-aprendiz) e nem AtléticoMG (treinador marqueteiro, à la Tite) possuem, neste momento, perspectivas de mudar o quadro.  Só pelo acaso ou pelas cegueiras alternadas do VAR o Inter pode perder o título do Brasileirão.

Não tem time no futebol brasileiro mais intenso que o colorado. São três, quatro toques na bola e lá está o líder, com 4 ou 5 jogadores bem distribuídos e inteligentemente bem posicionados à frente da linha da bola para dar sequência às jogadas que empurram frequentemente o time para a zona de arremate. Poucas ou raras vezes vê-se um adversário colorado – qualquer que seja ele -  com mais de 5 segundos com a posse de bola. Quando acontece, está lá na sua intermediária, trocando passes estéreis e queimando neurônios para achar um meio de infiltrar-se e quebrar uma linha de zaga que neste momento é, disparada, a melhor e bem mais protegida defesa entre os times do Brasil. Ninguém enfia oito vitórias na corrida por acaso numa reta de chegada de competição por pontos corridos entre 20 agremiações.

Há duas ou três edições, o articulista dessa coluna cravou que quem manda no futebol brasileiro é o Flamengo. No campo, continuo achando que do meio para frente ninguém possui jogadores com qualidades superiores às de Gerson, Everton Ribeiro, Arrascaeta, Bruno Henrique e Gabigol. Mas somente ter os melhores não significa ter o melhor desempenho. É preciso “jóquei”. O Flamengo não tem mais o “mister”. Optou por apostas pífias. E o plano da manutenção do elenco com maior evolução do time que era a máquina de 2019 foi pras cucuias. Não teve o capítulo seguinte, como os protagonizados por Roger Machado, que armou o time que Renato transformou-o num colírio para os olhos no biênio 17/18.  Assim como Dino Sani, que armou o time e Rubens Minelli se consagrou. E agora  chegou a vez de reconhecer o quanto este Inter ainda tem de Coudet, perfeitamente transmutado pelo agora seu técnico Campeão do Mundo Fifa com gol de Gabiru. O Flamengo manda, sim, mas agora só fora de campo. E é aí, nos bastidores insalubres do futebol,  que surgem micro-embriões  de criaturas sombrias, que desenvolvem-se em pouco tempo para tentar mudar a rota de um time muito perto de erguer  a taça. Neste País à deriva, tudo pode acontecer. Mas o Inter só não será campeão se a Damares encontrar-se novamente com Jesus e suplicar  pela mudança da classificação atual na tabela.


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Num País que desde 2015 fecha, em média, 17 unidades industriais por dia, Rio Grande contraria a estatística com sua próspera indústria da multa. Não demora muito para transformar-se na base da economia do município.